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O que é endomarketing?

Segunda, 08 de Abril de 2019

Por que se diz elefante branco?

Segunda, 01 de Abril de 2019
Elefante branco quer dizer uma coisa grandiosa, porém inútil, desnecessária e dispendiosa, por isso normalmente é usada para obras públicas que são feitas para promover políticos, nas quais se

O que é excelência?

Segunda, 25 de Março de 2019
Numa manhã de segunda-feira, eu tinha acabado de completar 18 anos e saía para a minha primeira aula de direção. Tentei não passar em nenhuma rua conhecida, porque meus amigos já sabiam dirigir

Por que se diz dois pesos e duas medidas?

Segunda, 18 de Março de 2019
A expressão dois pesos, duas medidas é o mesmo que dar um tratamento diferenciado entre pessoas ou acontecimentos, quando a situação, na verdade, exigia o mesmo tratamento. A expressão teve a sua

O que é caixa de Pandora?

Segunda, 11 de Março de 2019
Abrir a caixa de Pandora equivale a contar um grande segredo, deixar escapar muitas coisas que não deveriam ser descobertas, porque causariam medo ou apreensão se fossem reveladas. O termo também p

O que é coaching?

Segunda, 04 de Março de 2019
Um dos termos que mais têm sido usados nos últimos dez anos no Brasil tem sido coaching. Muita gente fica intrigada ao ouvi-lo, pois tem se dito que muita coisa pode ser resolvida na vida e na carre

O que é um bode expiatório?

Segunda, 25 de Fevereiro de 2019
Ser um bode expiatório, quer dizer simplesmente ser uma pessoa escolhida para pagar por um crime ou um ato falho que não cometeu ou por uma ação que não praticou. Bode expiatório é a forma de d

O que é eufemismo corporativo?

Segunda, 18 de Fevereiro de 2019
Eufemismo é uma figura de linguagem que consiste em tornar mais leve e palatável o sentido de uma expressão ou de uma palavra. Dizer que um aluno não se saiu muito bem num exame ou um funcionário

O que é economês e outras idiotices?

Segunda, 11 de Fevereiro de 2019
Lendo o psicólogo americano Jon Warshawsky, responsável pela área de pesquisas da Deloitte, uma das principais empresas de auditoria e consultoria do mundo e coautor do livro Por Que as Pessoas de

Parte 2 - Por que geração mimimi?

Segunda, 04 de Fevereiro de 2019
O Brasil precisa urgentemente, como política nacional de defesa de um futuro possível, proibir que se diga aos mimizentos na escola e no trabalho, que a vida é fácil, que é sopa, que dinheiro se

Parte 1 - Por que geração mimimi?

Segunda, 28 de Janeiro de 2019
Mimimi é uma figura de linguagem que reproduz o som que uma pessoa faz ao reclamar de alguma coisa. O termo se popularizou com as redes sociais, porque nelas muita gente reclama de muita coisa. Norma

Parte 2 - O que são vidas pública e privada?

Segunda, 21 de Janeiro de 2019
Está mais do que na hora de as escolas públicas e particulares, de todos os níveis, criarem um espaço em seus currículos para a discussão fundamental sobre o que é de interesse de todos e do qu

Parte 1 - O que são vidas pública e privada?

Segunda, 14 de Janeiro de 2019
É um tormento. Sim, é um tormento. Não sei se foi sempre assim ou apenas de uns tempos para cá. O certo é que venho sendo assombrado pela ideia obsessiva de distinguir a vida pública da privada,

Qual a relação entre educação e mercado de trabalho?

Segunda, 07 de Janeiro de 2019
Essa pergunta chega a parecer estúpida. Se eu a fizesse em público, tenho certeza de que muita gente iria rir de mim. No entanto, se eu apontasse o dedo para as pessoas que riem e perguntasse a elas

O poeta, a pedagogia e as nuvens

Terça, 16 de Outubro de 2018
"No poema/ e nas nuvens,/ cada qual descobre/o que deseja ver." - Helena KolodyO propósito deste artigo é apresentar a professores, alunos, pais e todos os interessados no assunto educação, n

Professor ou o homem que ferrava almas

Terça, 16 de Outubro de 2018
Quando eu era pequeno, no sítio de meus tios, onde passava minhas férias de julho, lembro-me de haver perguntado por que é que se marcavam a ferro os bois e cavalos? Parecia-me uma maldade, mas meu

O poeta, a pedagogia e as nuvens

"No poema/ e nas nuvens,/ cada qual descobre/o que deseja ver." Helena Kolody


O propósito deste artigo é apresentar a professores, alunos, pais e todos os interessados no assunto educação, nas redes, mas, sobretudo, no Linkedin, a poética pedagógica do francês Joseph Jacotot. Poética, porque ele propõe nos seus ensinamentos e na sua experiência de professor que todo mundo deveria ler poesia, pois é lá que se encontra todo o conhecimento necessário, quem ainda não foi apresentado à verdade poética, está perdendo a maior e lúdica fonte de aprendizagem; pedagógico, porque, qualquer pode sacar dos versos os conhecimentos que precisa para gerenciar a sua própria existência. Os poetas passam a ser professores então e os poemas suas cartilhas emblemáticas.


Joseph Jacotot, 1780 –1840, notabilizou-se como professor de Língua Francesa na Universidade de Louvain, na Bélgica, cargo que assumiu em 1818. O desafio que deu origem à sua fama, foi de haver conseguido, com sucesso, ensinar francês para quarenta alunos holandeses que não entendiam nada da língua de Napoleão. Por outro lado, ele também não conhecia sequer uma palavra da língua do país de Rembrandt e Van Gogh. Com a ajuda de um tradutor propôs a seus alunos que aprendessem a língua e seus fundamentos a partir de uma leitura da edição bilíngue da obra As aventuras de Telêmaco, de Fénelon. Comparando a escrita e a estrutura do que liam em holandês com o que estava escrito em francês, os alunos puderam estabelecer semelhanças de códigos e sentidos. Fizeram o seu dever com tanta maestria que produziram um comentário da obra na língua do professor.


O resultado foi tão animador que, a partir daí, Jacotot começa a estabelecer a relação entre aprendizagem e vontade e não entre professor-explicação-aluno. A explicação que é mediadora dos conhecimentos deixa de ser importante. Isto pode parecer paradoxal, mas o professor que ensina passa ser desnecessário. O que é importante agora é aquela pessoa que sabe instigar a aprendizagem e que sabe fazer com que os alunos descubram os seus próprios mecanismos de aprendizagem, independente da figura de quem ensina, da qualidade das explicações que recebe e do conhecimento que, porventura, o professor venha a ter. O pedagogo francês descobre neste momento, a chave para a pedagogia da emancipação.


O que vem a ser essa tal emancipação? É simples, o aluno passa ser o primeiro responsável pela sua aprendizagem e não mais o professor, como acontece nas estruturas escolares tradicionais. Jacotot parte do princípio que todos têm capacidades intelectuais iguais (e vejam que ele é bem anterior ao Projeto Zero, que pesquisou e descobriu a existência das inteligências múltiplas), parte da ideia que professores nada têm a ensinar a seus alunos, mas alunos, se quiserem, têm a aprender com os seus mestres. O professor para a ser um incentivador/disseminador e o aluno uma esponja pesquisadora. Parece que, em nenhum outro momento da história pedagógica ocidental, a noção de construção do conhecimento, fez mais sentido. Coisas que disse o mestre:


“O problema não é fazer sábios, mas elevar aqueles que se julgam inferiores em inteligência, fazê-los sair do charco em que se encontram abandonados: não o da ignorância, mas o do desprezo por si e dos outros. O desafio é fazê-los homens emancipados e emancipadores”.


Suas ideias foram difundidas, principalmente, pelo Jornal do Ensino Universal, sob a coordenação de seu filho e que sobreviveu ao próprio pensador. Nele muitas renovações foram propostas:


“Não há um homem sobre a Terra que não tenha aprendido alguma coisa por si mesmo e sem mestre explicador.”

“Educar é, antes de tudo, emancipar.”


“Não há nada para ensinar. Há tudo para aprender.


“O segredo do mestre é saber reconhecer a distância entre a matéria ensinada e o sujeito a instruir, a distância, também, entre aprender e compreender.”


“O mestre precisa conhecer os objetivos do que ensina e não, necessariamente, o caminho. O aprendiz quando descobre o caminho entende o porquê do que aprende.”


“Um bom mestre pode fazer um aluno aprender o que ele mesmo não saiba, desde que mostre ao aprendiz a força de sua própria capacidade intelectual.”


“O importante não é só aprender, mas dimensionar a própria capacidade de aprender.”


“Quem ensina sem emancipar, embrutece. E quem emancipa não tem que se preocupar com o que o emancipado vai querer aprender.”


“Uma escola não deve formar papagaios, mas seres pensantes.”


“Memória não é inteligência, repetir não é saber.”



“O problema é revelar uma inteligência a ela mesma.”   


“A consciência da emancipação é, antes de tudo, o inventário das competências do ignorante.”


“Não se trata de perguntar quem construiu Tebas e suas sete portas, para reivindicar o lugar dos construtores e dos produtores na ordem social. Trata-se, ao contrário, de mostrar que não há duas inteligências, que toda a obra de arte humana é a realização das mesmas virtudes intelectuais.”


Poderia recolher infinitos excertos de seu pensamento, que é brilhante, instigante e cabível em qualquer época na qual as pessoas quiserem uma educação libertadora. No entanto, dentre as revolucionárias ideias que defendeu, uma me chamou especial atenção. A de que pudesse haver uma pedagogia embutida dentro dos versos de poetas famosos de todos os tempos: 


 “A lição dos poetas, contrariamente à lição dos gramáticos e dos oradores, é que aqueles procuram ser adivinhados e não querem comandar absolutamente nada; eles desejam ouvir e não se fazer escutar. O gramático insiste na estrutura da língua, e quer que os outros não consigam fugir dela; buscam o método onde ele talvez não exista; explicam com palavras de outros a ordem das palavras do mesmo. O orador, do outro lado, é aquela figura da língua que apaga toda possibilidade de outras vozes, não deixa nenhuma voz ser mais alta que a dele; aniquila a vontade do outro por meio de uma violenta imposição do que dizer, quando dizer, como dizer, porque dizer e para que dizer.”


“Os pensamentos voam de um espírito a outro nas asas das palavras. Cada vocábulo é enviado com a intenção de carregar um só pensamento, mas, apesar disso, essa palavra, essa larva se fecunda pela vontade do ouvinte; (...) de forma que o falante para além do que quis dizer, disse uma infinidade de coisas”.


“Toda palavra, dita ou escrita, é uma tradução que só ganha seu sentido na contra-tradução, na invenção das causas possíveis para o som que ouviu ou para o traço escrito. É isso que permite que o ‘ignorante’ arranque o sentido do livro mudo”.


Quero apenas, de novo, propor uma emancipação pedagógico-poética. Que meus leitores que acreditarem nessa viagem, continuem viajando com os nomes que lhes forem mais caros.


Poema XVIII


(Fernando Pessoa, in O Guardador de Rebanhos)


 Quem me dera que eu fosse o pó da estrada

E que os pés dos pobres me estivessem pisando...

 Quem me dera que eu fosse os rios que correm

E que as lavadeiras estivessem à minha beira...

 Quem me dera que eu fosse os choupos à margem do rio

E tivesse só o céu por cima e a água por baixo...

 Quem me dera que eu fosse o burro do moleiro

E que ele me batesse e me estimasse...

 Antes isso que ser o que atravessa a vida

Olhando para trás de si e tendo pena...