Prof. Nailor Marques Jr.

março 18, 2010

Resumo das obras da UEM

Arquivado em: Publicações — Prof. Nailor Marques Jr. @ 11:04 am

Se você vai prestar vestibular na Universidade Estadual de Maringá (UEM), saiba que a lista de obras mudou e você pode conseguir um livro com todas as obras resumidas e comentadas pelo site www.atelierderedacao.com.br ou pelo telefone (44) 3025-4915. Preços especias para compras acima de 20 exemplares.

março 17, 2010

Novo salário mínimo de R$ 510,00

Arquivado em: política — Prof. Nailor Marques Jr. @ 4:21 pm

O governo federal estipulou um novo jeito de calcular o salário mínimo baseado em práticas governistas.

Graciliano Ramos na prisão

Arquivado em: Publicações — Prof. Nailor Marques Jr. @ 12:28 pm

Texto escrito para um concurso da revista Piauí, na verdade nunca soube do resultado. O ideia era escrever um texto que tivesse em algum a parte que está em negrito.

 

As visitas podem lhe levar quatro frutas, quatro litros de suco, um quilo de biscoitos, cigarros, produtos de higiene e um livro, desde que em português. Não é isso, no entanto, o que Graciliano quer. Quer a sua liberdade, algo de indizível preço. Não é possível medir a frescura do vento nas areias de Pajuçara ou a observação das piscinas calmas e águas translúcidas de Maragogi. Graciliano quer mesmo é voltar para sua Alagoas. Talvez traga toda a família para o Rio, mas o Rio dos braços abertos do Redentor, não o Rio de Gregório Fortunato, o cão de guarda de Getúlio.

Se recebesse as quatro frutas já sabia a quem daria, Sinhá Vitória, Fabiano e os meninos. Talvez ela não tivesse sacrificado o papagaio, tão caro a ela. Os dois dandinavam livres pelo sertão alagoano. Livres? Pelo sertão a liberdade se espalha como fogo em palha seca. A liberdade é alma da gente lavada e passada a ferro de brasa com casca de laranja. Nos tempos do sítio seu Tomás da Bolandeira era assim. Papagaio não se come. Papagaio se aloja no peito como amigo. Sinhá Vitória se tivesse as frutas, teria também o papagaio.

Se lhe entregassem os quatro litros de suco deixaria na escola de dona Madalena. Crianças pobres querem alimento de cabeça, mas precisam também forrar o bucho. Já viram saco vazio parado em pé? Seu Graciliano tem essa sabedoria no entender as necessidades das pessoas. Seu Graciliano tem essa graça do viver até no nome, é graça todo ano, Graciliano. Conhecimento é poder?   

O que um homem privado de liberdade faria com um quilo de biscoitos? Não eram sequer biscoitos da sorte da China. E se fossem chineses e dentro dos biscoitos viesse escrito: “você está sem sorte”? A maior tragédia da vida é trabalhar para uma coisa acontecer e quando ela chegar não entendermos porque veio. Paulo Honório gastou uma existência para ser dono do império de São Bernardo, gastou uma vida de suor, esperança e brutalidade e pra quê? Como prêmio recebeu solidão, desafetos, desamor e decadência. Era um homem livre, mas prisioneiro de si mesmo. Prisão da qual não se foge. Não se foge?

Se lhe dessem cigarros? Cigarros sim, fumaria todos e comeria ainda as bitucas. Seu Graciliano tinha esse vício desde sempre. Não porque gostasse do cheiro do fumo, nem porque dependesse quimicamente do alcatrão, da nicotina e de outros componentes nocivos do tabaco. Gostava mesmo era de ver a fumaça expelida em espiral, círculos concêntricos de fumaça que podiam levar a mais simples dos homens à companhia das estrelas. Nenhum homem pode se sentir preso quando pode voar pela leveza da fumaça de um cigarro. Isso ele aprendeu. Aprendeu? Produtos de higiene? Um homem limpo e preso. Produtos de higiene, vejam só.

A maior tortura da prisão, no entanto, era a oferta dos livros. Livro, no singular. Um por mês, um por vez. Quando um homem não pode sequer escolher o que ler, é porque a prisão atingiu o mais alto grau despótico. Getúlio então pretendia quebrar as vértebras de todos. A de seu Graciliano começava a se romper. A graça natural de seu nome começava a desaparecer. Um homem pode passar sem frutas, sem suco, sem biscoitos, até sem cigarros, o que não pode é passar sem livros. Seu Getúlio, com a sua guarda palaciana feroz e analfabeta, pensava estar ofendendo os poucos presos que queriam ler, dando apenas um livro em português. Na sua cabeça estava aí a ofensa, era pior o livro em português, do que o fato de ser apenas um. Seu Graciliano sabia que ainda que fosse um, estaria bem acompanhado de Machados, Aluísios, Limas, dos Andrades e tutti quanti. Isso seu Getúlio não sabia e seria um segredo só seu.

 

março 9, 2010

Dia internacional da mulher

Arquivado em: Educação — Prof. Nailor Marques Jr. @ 3:33 pm

Educação para ser mulher

 

Escrever matérias semanais nos apresenta, por vezes,  um ingrediente divertido e inusitado: de repente você deixa de escrever o que te apetece e passa a responder à interação dos seus leitores. Desde que comecei com minha coluna via internet, tenho percebido um aumento crescente de pessoas que lêem e palpitam contra, a favor, ou ainda, que sugerem temas que gostariam de ver tratados. Acho muito interessante, mas fico com a impressão de que estou sempre um passo atrás dos acontecimentos. Escrevo, ou pelo menos tento, sobre temas mais perenes, para que as matérias não envelheçam com muita rapidez, para que mantenham um certo oxigênio.

Estou dizendo isso, porque recebi inúmeros pedidos para que tivesse me manifestado no Dia Internacional da Mulher. Acho bom que as pessoas queiram saber o que penso e por isso resolvi abordar o assunto. Não sei se  repetirei o mesmo em outros acontecimentos, porque não gosto de datas e saibam que isso inclui aniversário, Natal, Ano Novo e congêneres. Tenho para mim que nesses dias, todo mundo resolve encarnar o espírito da comemoração e tudo fica pasteurizado, artificial e chato. Por conta dessa impressão, tento me manter à distância desses festejos, não quero colocá-las no perder de vista do horizonte, quero apenas manter uma distância higiênica e segura.

No caso do dia das mulheres me rendi ao fato, porque acho que umas verdades precisam ser ditas sobre homens e mulheres, depois que alguém alardeou que houve uma grande mudança no mundo, nessa “guerra dos sexos”. Comemorar o dia das mulheres, dos gays, dos homens, dos negros, dos deficientes ou qualquer outro dia, desses inventados por vereadores desocupados, deputados insossos ou organismos internacionais ineficientes é tão importante quanto “levar um copo à água das fontes”, como diria Fernando Pessoa. Ou todo dia pensamos, falamos e agimos com coerência ou não adianta inventar um dia para desculpar nossas consciências pesadas porque não fazemos nossa lição de casa. Vejo e vi muitas manifestações públicas e privadas no tal dia das mulheres, mas também notei que logo após elas, as mesmas manifestantes ferrenhas e oradoras iradas, voltavam a levar a vida que levavam antes. Não precisou nem acabar o dia, bastou anoitecer. As vidas não mudam porque as pessoas fazem aniversário ou o ano vira no calendário. As vidas mudam porque as pessoas tomam as rédeas de seus destinos e fazem com que as mudanças aconteçam.

É preciso parar de iludir as pessoas com a falsa idéia de que com a criação de seus dias  específicos a vida delas vai melhorar. Está mais do que na hora de ensinar os seres humanos a trabalhar por aquilo que eles querem, para que possam transformar suas próprias existências em um dia especial atrás do outro e logo em toda uma vida especial, de acordo com o que querem e não com o desejo dos outros. Eduquemos então, a partir de agora, nossas meninas para serem mulheres, assumirem-se como tais e deixarem de pensar que deverão ser como os homens. As mulheres nunca serão os homens, porque não podem, nem precisam ser (graças a Deus é assim!). Uma mulher que conseguir tirar nota 10 na escola para virar homem, será, na melhor das hipóteses, um homem de segunda linha. Os homens e as mulheres são maravilhosamente diferentes.

As mulheres devem ser educadas para tirar proveito de sua capacidade maior de serem justas (quando seus pares são mais tendenciosos); de sua dedicação à causa humana (enquanto o sexo oposto pende mais para o indivíduo e a competição); de seu maior coeficiente de humanidade (no lugar dos homens sempre tão dispostos a guerrear por bobagens e conquistas baratas); de sua vocação natural para fazer o bem e compreender o próximo e de seu apego às coisas da família (basta que vejamos a sua capacidade de agregar os parentes em torno de si); de sua propensão a dizer sim ou não sem grandes traumas (enquanto os homens enrolam e nunca ninguém sabe direito o que querem).

Mulheres precisam apenas aprender a ser mulheres, a se tornar mulheres, a se exercitar mulheres, a viver como mulheres, a amar como mulheres, a ser felizes e infelizes, atrevidas e comportadas, mágicas e previsíveis, comprometidas ou largadas, mães ou tias, realistas ou sonhadoras como mulheres que todos nós precisamos e queremos. Não há obra de arte melhor acabada do que uma mulher orgulhosa de si e, tenho para mim, que a educação para esse comportamento tornaria o mundo mais habitável, o céu mais azul, os anos mais límpidos, as agruras mais suportáveis e os destinos mais cumpríveis. Tenho para mim que quando homens e mulheres entenderem a verdade disso elas estarão, como diria o poeta, colocadas no início do céu para encontrarem-se com os homens postados no final da terra e juntos voarem, perpetuarem-se, e colocarem inúmeros tijolos nessa incomparável construção chamada espécie humana.