Branca de Neve, a rainha burra, o espelho ingênuo, os anões gays e o príncipe necrófilo
Num reino muito distante (isso é básico), num período de “era uma vez” vivia uma rainha linda e má (tipo vilã da novela das oito da Globo, que sempre começa às nove e meia), ela era viúva de um rei que já tinha uma filha chamada Branca de Neve (isso é nome de gente?). A menina tinha a pele branca (se fosse hoje, ela não seria mais assim, porque todas querem um bronzeamento, nem que seja artificial) e as faces rosadas, era muito boazinha, apesar de ser muito mal tratada pela madrasta.
Sua madrasta má tinha a certeza de que era a mulher mais bonita do seu reino e, para ter certeza disso, sempre consultava seu espelho mágico (todas as mulheres deveriam ter um para parar de perguntar aos homens se elas estão bonitas, sem permitir nunca que eles digam a verdade). O espelho (notem que é do sexo masculino) sempre dizia que ela era a mais bela de todas, até o dia em que Branca de Neve completou 15 anos, então espelhou, absolutamente ingênuo, resolveu ser sincero (isso é inimaginável igual político sincero: se um político disser que vai “trabalhar” apenas terça de a quinta e roubar só o normal, nunca vai se eleger), mas o espelho num arroubo de sinceridade, disse:
- Não, agora não, majestade, Branca de Neve é a mais linda de todas, a mais bonita do reino.
A rainha atirou o espelho ao chão, ele deu uma trincadinha, mas calou a boca na hora (é o melhor que os homens podem fazer num momento desses). Mandou chamar um caçador e pediu que ele levasse Branca de Neve para a floresta (hoje diríamos mato, mas é um pouco agressivo sexualmente falando), que a matasse e trouxesse o seu coração de presente (e o povo reclama do Maníaco do parque!).
O pobre rapaz não teve coragem, deixou a jovem fugir, matou um cordeiro e deu de presente à rainha (claro, num tempo em que não havia Greenpeace). Tudo parecia estar bem, até ela perguntar de novo ao seu espelho mágico (e burramente honesto) quem era a mais bela. E, de novo, pasmem, ele disse a verdade mesmo conhecendo a sua patroa. Ele lhe disse que ela morava na floresta com 7 anões (qual é a chance de nós encontrarmos dois anões juntos? Agora imaginem sete? Moram juntos, não têm mulher, nunca tiveram e ainda são felizes? Encontram uma menina de 15 anos, linda, virgem, que quer morar com eles e eles a adotam? Moral da história: são gays ou assexuados, claro).
A rainha jogou o espelho ao chão de novo e começou a organizar um plano para tentar matar a menina outra vez. Enfeitiçou uma maçã e tentou convencer a jovem a comê-la. Se a bruxa encontrou Branca de Neve sozinha, no meio da floresta, para quê usou o truque da maçã? Por que não deu logo um tiro na menina? Eis o mistério da fé! A menina (nem tão menina assim) comeu a maçã e teve um desmaio profundo (e fico me perguntando, não era veneno?).
Quando os assexuados chegaram viram a menina desmaiada e pensaram que estava morta. Com pena de enterrarem aquela belez colocaram-na num caixão de vidro perto da casa deles (Será que eles pensaram que ela ficaria intacta? Eram anões e burros, porque não imaginaram que ela putrefaria?). Mesmo assim fizeram isso, até que um lindo príncipe, daqueles da Cinderela (história 1), chegou, abriu o caixão e beijou a moça (hoje diríamos que era um dark, um gótico ou um necrófilo). Quem em sã consciência abriria um caixão de uma desconhecida e a beijaria na boca, sem ser um doente mental? A moça cuspiu o pedaço da maçã que estava em sua garganta e voltou à vida, saiu de sua catalepsia, o príncipe, então, se casou com ela (hoje as mulheres estão tendo dificuldades de encontrar um homem para casamento estando vivas, imaginem mortas), os anões deram uma festa e todos viveram felizes. A rainha má presume-se que tenha voltado ao palácio e dado uma surra boa no Espelho mágico para se acalmar, tomou duas cápsulas de fluxetina e seguiu a vida, rainhamente.