Prof. Nailor Marques Jr.

dezembro 27, 2008

Um Natal às avessas ou os anjos existem sim

Arquivado em: comportamento — Prof. Nailor Marques Jr. @ 6:58 pm

O que se escreve antes das histórias:

1) Dizem que os anjos aparecem com freqüência no Natal, eu conheci um em Florianópolis;

2) Meu amigo Jhonny (diferente do filme, o nome dele é Jhonny) diria, como sempre, que a história que vou contar só pode ser mentira.

Dia 24 de dezembro de 2008, véspera de Natal, período em que todo mundo pensa que é bom, algumas pessoas realmente o são. No entanto, nem o Natal impede que se tenha uma maré de azar, foi o que me aconteceu nesse dia. Como diz o poeta Jessier Quirino, existem dias que a gente está tão azarado que dorme no chão e cai da cama, que dorme na igreja e perde a missa, que amanhece com o chinelo trocado pisando em bosta de cururu. É como acordar em plena chuva de canivete. Pois é, dia 24 foi assim.

Tudo começou com o síndico do prédio que exigia que as minhas bicicletas, que ficam na garagem quando estou no apartamento, voltassem para dentro de casa. Foi um estresse, primeiro porque garagem é espaço privativo (tem gente que confunde ser síndico com ser rei), depois, deixo as bicicletas lá apenas no período de final de ano, é muito pouco tempo para alguém arranjar uma encrenca. Mas, para evitar discussões, coloquei-as no transfer e deixe-as presas na traseira do carro.

Chovendo canivete 1: não contava, no entanto, com o que aconteceria depois. Eu brincava com meu filho Miguel, de apenas 10 meses, quando ele caiu por cima de mim e machucou o braço esquerdo. Não sabíamos o que realmente tinha acontecido e ele não parava de chorar muito. Com uma criança pequena em casa, a gente logo aprende a diferença entre choro fingido e choro sentido e ele chorava muito sentido.

Chovendo canivete 2: saímos, eu e minha mulher, para levá-lo ao posto de saúde bem próximo de nosso apartamento. Não havia médico para atendê-lo de pronto, era preciso esperar uma pequena fila de seis pessoas. Urgência tem outro sentido nos postos públicos. A própria enfermeira nos aconselhou que buscássemos uma clínica 24 horas privada, já que tínhamos plano de saúde particular.

Chovendo canivete 3: fomos para a tal clínica e, como o esperado, atendidos de pronto. No entanto, não havia especialista (cada dia está mais difícil saber que tipo de médico procurar) e, mesmo diante de um raio x, o médico não sabia dizer o que havia acontecido. Ele mesmo nos aconselhou a buscar um hospital infantil, onde, com certeza, encontraríamos um especialista que poderia dar um diagnóstico seguro. Mesmo debaixo de uma bruta chuva partimos em busca do tal hospital, sem saber direito onde ficava, porque ninguém sabia nos explicar. Fomos nós, o filho chorando e as bicicletas no transfer lá atrás pulando como doidas.

Chovendo canivete 4: passei da entrada da rua para o hospital que, depois de muito custo, nos ensinaram, fiz uma curva brusca no retorno e as bicicletas com transfer e tudo caíram em plena avenida Beira-mar norte, num fluxo típico de Natal, isto é, as quatro pistas lotadas de carros. Encostei meu carro na outra margem e voltei a pé, em plena chuva de canivete, pedindo aos carros que parassem para que eu pudesse recolher as duas bicicletas com o transfer, já que estavam presos por um cadeado, que unia tudo a tudo.

Surge um anjo: do nada, um carro pára, ocupado por um rapaz e uma moça e o homem, que já se havia oferecido para ajudar antes e eu recusara, desce do carro, se molha, e diz que pode ajudar. Pasmem, no carro dele havia um transfer também, porém sem bicicletas. Eu explico que estou levando meu filho para o hospital infantil, ele recolhe as bicicletas, põe no carro dele, me acompanha até lá e me aguarda enquanto minha mulher toma as providências necessárias e eu faço as mudanças das bicicletas para o meu carro de novo. Sempre paciente e sorrindo. Eu agradeço, ele me diz seu nome, me dá uns conselhos sobre como carregar bicicletas e desaparece na chuva acompanhado da moça, provavelmente uma anja também  (sumiram assim como o profeta Elias).

O que se escreve depois das histórias:

1) Os anjos existem e aparecem no Natal. Eu conheci um e ele se chama Ricardo Tavares e trabalha na Brasil Telecom;

2) Jhonny, é maluco, mas é verdade;

3) E tem ainda mais uma circunstância agravante. Quando voltávamos do hospital para casa (meu filho apenas deslocou o cotovelo), tivemos um princípio de incêndio no carro (o amaldiçoado do transfer impediu que o limpador traseiro funcionasse e como ele liga automaticamente quando se dá ré na chuva, ele queimou sua fiação). Voltamos felizes pelo nenê, mas tomando chuva com as janelas abertas por conta fumaça e, por via das dúvidas, com o extintor na mão temendo coisa mais séria.

 

 

 

 

dezembro 17, 2008

Lula e Millôr

Arquivado em: política — Prof. Nailor Marques Jr. @ 1:26 pm

Na revista Veja dessa semana, 17/12/2008, página 40, no comentário de Millôr Fernandes há uma pérola que merece ser dividida com quem não acompanha a revista. Diz nosso filósofo pândego:

“Noutro dia vi um programa de televisão em que Lula falava pouco e com extraordinário bom senso. Ou seja, estava completamente fora de si”.

PERFEITO. PT saudações, diriam os saudosistas.

dezembro 16, 2008

Lula não teve culpa II

Arquivado em: política — Prof. Nailor Marques Jr. @ 5:07 pm

Eu não sei quem postou isso no meu blog, só sei que não foi o Lula. De qualquer forma é muito instrutivo, vale a pena ler.

A caravana do governo seguia pelo interior Piauí, disfarçada de povo. Lá pelas tantas, no meio do poeirão, bate aquela sede e o nosso presidente manda parar junto da primeira casa para beber um pouco de água.

Diante do pedido daqueles homens, a dona do casebre, hospitaleira como todo sertanejo, grita para o menino de uns 9 anos que estava sentado na porta:

- Luizináçu! Corre aqui, jegue! Traiz a quartinha e as caneca prus dotô bebê água!

Lula, todo vaidoso, pergunta:

- Eu vi que a senhora chamou o garoto de Luiz Inácio. Ele tem esse nome em homenagem a alguém?

- Não, dotô, na verdade o nome dele é Fernando Henrique, mas é que urtimamente esse minino danô a bebê, roubá, minti, si fingi de sonso e fazê tanta merda, que nóis apelidô ele assim..

 

 

 

dezembro 15, 2008

Lula, não é culpa sua

Arquivado em: política — Prof. Nailor Marques Jr. @ 10:34 am

Nunca pensei que fosse dizer isso, mas não é culpa do Lula o pouco da crise que estamos passando. Ela foi importada dos americanos e está refletindo em nós em alguns setores, principalmente bancário, automibilístico e siderúrgico.

Concordo com o presidente Lula quando ele diz que não é culpa dele (ele adora dizer isso, nuca sabe de nada, nunca faz nada, nunca vê nada, nasceu com um miopia política bastante conveniente).

Gostaria, no entanto, que o presidente entendesse que o sucesso econômico do Brasil nos primeiro anos do século XXI, também não tem nada a ver com ele. É verdade que a crise não é culpa dele, mas também é verdade que o sucesso econômico foi tão importado quanto a crise. É uma pena que o povo não entenda nada disso, não leia jornais, não se instrua. O Lula não é responsável nem pelo bem, nem pelo mal, simplesmente ele não é responsável.

A melhor coisa que o presidente (?) Lula fez durante os anos dourados da economia mundial, foi fazer NADA. Exatamente isso, esperamos do presidente que ele faça NADA. É o que de melhor ele sabe fazer.

dezembro 5, 2008

A vida como ela deveria ser

Arquivado em: comportamento — Prof. Nailor Marques Jr. @ 3:35 pm

Ah, a vida boa! A vida não é boa porque temos dinheiro, bens e conseguimos coisas. É boa porque fazemos o que é certo, amamos os que conhecemos e os que nunca vimos, respeitamos nossos parceiros, reconhecemos o valor dos velhos e a possibilidade inesgotável de futuro nas crianças.

Ah, a vida justa! A vida não é justa porque o Estado prende e pune os criminosos, mas porque cada cidadão comum faz o que deve ser feito. Não arranca flores dos jardins públicos; não joga papel no chão; não desrespeita as boas regras de conduta, diz bom dia, obrigado, por favor e com licença; não pára sobre a faixa de pedestres; não avança o sinal vermelho nem do tráfego, nem da delicadeza tão em falta nos dias de hoje.

Ah, a vida saudável! A vida não é saudável apenas porque praticamos exercícios físicos, mas, sobretudo, porque queremos bem a tudo e a todos e sabemos que a vida só é possível quando numa comunidade todos respeitam as diferenças e as potencialidades de cada um. É saudável pelo anseio de cada um de nós em querer o melhor para si, sem desejar ou fazer o pior para os outros. Sozinhos nós vamos mais rápido, mas bem acompanhados, vamos mais longe e é essa a missão da vida.

Ah, a vida com liderança! Liderar não quer dizer dar ordens inúteis a mortos-vivos, nem ocupar posições de chefia em corporações grandes ou pequenas. Exercer a verdadeira liderança na vida é servir de exemplo aos que estão ao nosso redor. É ser bom para inspirar bondade, ser justo para provocar justiça, ser paciente para gerar a paz e o entendimento, ser responsável para tranqüilizar as pessoas que se relacionam conosco, para que todos tenham certeza de que o que precisa ser feito, será feito da melhor maneira que sabemos.

Ah, a vida com esperança! Ter esperança não é simplesmente desejar que as coisas aconteçam e ficar em casa dormindo aguardando acontecer. A esperança é um lugar escondido no coração de cada um de nós, lugar que precisa ser descoberto e alcançado. A esperança precisa ser praticada. O desejo não é nada sem as ações que o concretizam. Que todos nós possamos ter um sonho no coração e a disposição diária de trabalhar por ele da forma mais honesta possível.

Ah, a vida com compromisso! Ter compromissos não quer dizer possuir uma agenda cheia, nem fingir que somos indispensáveis. Compromissar-se quer dizer acender a qualidade da vida nas menores ações que praticamos. É não deixar que nos esperem, é trabalhar para que amigos, parentes, parceiros, clientes recebam aquilo que prometemos entregar. Ter compromisso é educar cada célula do nosso corpo para ações na direção certa, é pensar que todos os dias temos um transplante de coração para fazer e se não fizermos tudo no tempo e do jeito certo, nosso paciente não sobreviverá.

Ah, a vida com atitude! Ter atitude não é sair fazendo qualquer coisa o tempo todo para parecermos ocupados e importantes. É, antes de tudo, fazer as coisas que precisam ser feitas, no momento e na direção em que precisam ser feitas. Não é apenas ter a faca e o queijo na mão, mas é preciso ter a fome da boa conduta.

Ah, a vida com beleza! A beleza não está na maquiagem, na cirurgia plástica, no vestido novo, na jóia cara. A beleza está nos pequenos gestos que têm a sua origem no coração, está na simplicidade do nascer do Sol que é de graça e está disponível para ricos e pobres, ainda que não demos a ele o seu valor vital, está na capacidade de cada um de descobrir o amor. E, acima de tudo, de saber que o amor não tem nação, ele é só uma criança levada que se esconde em qualquer coração.

Essa sim é a vida ou, pelo menos, a vida como ela deveria ser.

 

dezembro 3, 2008

A crise e o saci II

Arquivado em: comportamento — Prof. Nailor Marques Jr. @ 5:49 pm

Um homem vivia à beira de uma estrada e vendia cachorro quente.
 ele não tinha rádio, televisão e nem lia jornais, mas produzia e vendia bons
 cachorros quentes. Ele se preocupava com a divulgacão do seu negócio e colocava cartazes pela estrada, oferecia o seu produto em voz alta e o povo comprava.

As vendas foram aumentando e, cada vez mais, ele comprava o melhor pão e a melhor salsicha. Foi necessário também adquirir um fogão maior para atender uma grande quantidade de fregueses, e o negócio prosperava. Seu cachorro quente era o melhor de toda região. Ele era um vencedor, conseguiu pagar uma boa escola para o filho. O menino cresceu e
 foi estudar economia numa das melhores faculdades do país.

Finalmente, o filho já formado, voltou para casa, notou que o pai continuava com a vidinha de sempre e teve uma séria conversa com ele:

- Pai, então você não ouve rádio? Você não vê televisão e não lê os jornais? Há uma grande crise no mundo. A situação do nosso país é crítica. Está tudo ruim. O Brasil vai quebrar.

Depois de ouvir as considerações do filho doutor, o pai pensou: “bem, se meu filho que estudou economia, lê jornais, vê televisão, acha isto então só pode estar com a razão.

Com medo da crise, o pai procurou um fornecedor de pão mais barato (e claro, pior) e começou a comprar salsichas mais baratas (que eram, também, as piores). Para economizar, parou de fazer cartazes de propaganda na estrada. Abatido pela notícia da crise já não oferecia o seu produto em voz alta.

Tomadas essas ‘providências’, as vendas começaram a cair e foram caindo, caindo e chegaram a níveis insuportáveis e o negócio de cachorro quente do velho, que antes gerava recursos até para fazer o filho estudar economia na melhor escola, quebrou. O pai, triste, então falou para o filho:

- Você estava certo, meu filho, nós estamos no meio de uma grande crise.

E comentou com os amigos, orgulhoso:

 - Bendita a hora em que eu fiz meu filho estudar economia, ele me avisou da crise.

Quem procurar o seu Saci, sempre vai encontrar, senão encontrar coisa pior.