Prof. Nailor Marques Jr.

novembro 28, 2008

O lado triste do Brasil II

Arquivado em: comportamento — Prof. Nailor Marques Jr. @ 6:31 am

Tenho dois grandes amigos que moram em Itajaí, um deles, o poeta Roberto Martins, me conta que diante da tragédia das chuvas em Santa Catarina, o pior, por incrível que pareça, não foram os deslizamentos, as enchentes, nem os desmoronamentos, mas os saques praticados. Roberto me diz que é deplorável ver as casas das pessoas afetadas senfurtadas sem pudor, por gente que não eram marginais (pelo menos não se acreditavam assim) antes da tragédia.

Todos sabemos que existe a Lei da oferta e da procura, mas é deplorável imaginar que, diante da desgraça natural que se abate sobre o estado, comerciantes sem caráter, desprovidos de qualquer sentimento minimamente humano, possam enxergar apenas lucro de passem a vender botijões de gás de 13 kg por R$ 120,00 ou litros de leite por R$ 5,00.

O lado triste do Brasil

Arquivado em: comportamento — Prof. Nailor Marques Jr. @ 6:23 am

Existem coisas que não precisavam acontecer, a matéria abaixo sobre a fraude no programa LATA VELHA, de Luciano Hulk é uma dessas. É uma situação tão primária e simplória que não parece ter envolvido gente do naipe do Lucioano e da competência da Rede Globo. Segue matéria:

 

Fraude no ‘ Lata Velha’?

 

Fraude no Lata Velha ? Carruagem virou abóbora…

 

 

Estava bom demais para ser verdade. Foi o que pensou João Marcelo Vieira, 37 anos, ao participar do quadro Lata velha, no programa Caldeirão do Huck, da Rede Globo. O sonho de ver seu Opala verde, ano 79, transformado em uma supermáquina durou menos de 24 horas. No dia da gravação, o vendedor não percebeu que não existia mais nada do Opala no modelo reformado. Nem no dia seguinte, quando a produção rebocou novamente o carro para a oficina, alegando que iria acertar a documentação. Meses depois, ele recebeu o carro, e só então percebeu, com o documento na mão, que o registro era uma Caravan 79.

O próprio João Marcelo demorou para entender o que estava acontecendo. O documento esclarecia as dúvidas: a Caravan marrom, que antes pertencia a Rubem de Souza, em Minas Gerais, teria sido comprada por ele próprio por R$ 4.200! O problema é que João, dono de um quiosque na Praia do Recreio, garante que nunca esteve na cidade de Ribeirão das Neves, em Minas, tampouco adquiriu o carro e muito menos assinou o documento de compra e venda. Estava, segundo ele, configurada a fraude. E começou uma odisséia em busca do verdadeiro carro.
“Me deram o documento do carro com minha assinatura falsificada e sumiram com o Opala, que era de um tio que morreu de câncer e me pediu para não vendê-lo nunca”, lembra João Marcelo.

O Opala, que tinha o apelido carinhoso de Ogro, estava caindo aos pedaços, só pegava no tranco, mas quebrava galhos. O quiosqueiro nunca tinha pensado em fazer a reforma. A participação no Lata velha foi sugestão de dois clientes, os atores Rodrigo Hilbert e Fernanda Lima. A pedido deles, João Marcelo escreveu uma carta, entregue, em mãos, a Luciano Huck, durante uma festa. Dias depois, a produção do programa procurou pelo comerciante, fez entrevistas e fotos do carro.

“Na terceira entrevista, o Luciano apareceu no meu quiosque já para pegar o carro. Ele me propôs cantar uma ópera. Tive sete aulas de canto em Niterói. Tudo isso levou uns 26 dias. O carro supostamente foi para Belo Horizonte, eu acho, porque, até agora, a Justiça não conseguiu achar a oficina, cujo endereço foi passado pelo próprio dono, Paulinho Fonseca, baterista da banda Jota Quest”, diz João Marcelo.

Para ter seu carro modificado no programa, João interpretou no ar O sole mio, de Luciano Pavarotti, e emocionou o público. Durante o programa, Luciano parecia entender a importância que o veículo tinha para o comerciante e chegou a dizer que aquele era um carro “com alma”.

“No dia seguinte à gravação, dei uma volta com o carro, escoltado pela Globo. Logo depois, a emissora mandou rebocá-lo sob alegação de que atualizaria a documentação. No quarto dia, recebi um telefonema da Rita, da produção do Caldeirão, dizendo que uma pessoa do Sul tinha oferecido R$ 120 mil para comprar meu carro. Não aceitei porque minha intenção era ficar com o Opala modificado”, explica.

Dois meses se passaram e nada do carro voltar. Ele conversou com Fernanda Lima, que conseguiu marcar uma reunião na Globo. Lá, João Marcelo diz que recebeu uma proposta financeira e que todos assumiram o erro do programa. Segundo o comerciante, a emissora não gostaria que o caso fosse para a Justiça. O encontro teria acontecido na sala do diretor da emissora Aloísio Legey.

“Havia três advogados, o Paulinho, o Aloísio e a Ana Bezerra, diretora de produção. O Aloísio perguntou o que eu queria e disse que se eu levasse o caso para a Justiça demoraria três anos. Falei que não queria nada, só o meu carro de volta”, conta João Marcelo, que não esperava uma reação tão enérgica do diretor:

“O Aloísio bateu na mesa e disse que isso poderia acabar com o programa do Luciano quando eu falei que minha carruagem tinha virado abóbora e, por isso, a situação era grave”, afirma.

O comerciante contou que ficou acertado no encontro que o programa devolveria o Opala transformado. Passados outros dois meses, o carro foi entregue. Mais uma vez, era a tal Caravan:

“Quando me deram a documentação, vi que era da Caravan marrom. O carro foi comprado por R$ 4.200 e ainda falsificaram minha assinatura para legalizar a transferência. O número do chassi na documentação não era do Opala. As placas de identificação nas portas do veículo também eram de outro carro. O carro é um Frankenstein, foi remontado em cima de outra carcaça”, garante.

Desde janeiro, corre na Justiça um processo contra a Rede Globo e a Oficina Nittro Hot Rods no cartório da 1ª Vara Cível, em Jacarepaguá, com um pedido de indenização por danos morais e materiais.

Paulinho Fonseca não foi encontrado para comentar a acusação. A Ponto TV procurou por ele na oficina e através da assessoria de imprensa da Sony BMG, gravadora da banda.

O processo está parado porque a Justiça não consegue oficiar Paulinho Fonseca, que não é encontrado no endereço da oficina. Ainda de acordo com João Marcelo, no dia 4 de janeiro, Paulinho foi até sua casa, no Recreio, e teria dito: ‘O outro cara (provavelmente outro participante do quadro) queria me arrancar dinheiro e me dar uma porrada’, conta João Marcelo, que acredita que esse mesmo problema tenha ocorrido com outros carros.

O Advogado do comerciante, Dr. MÁRIO BRITTO, (DO ESCRITÓRIO BEVILAQUA E BRITTO ADVOGADOS ASSOCIADOS) , disse ter pedido à Justiça um exame grafotécnico, para verificar se a assinatura de João Marcelo foi falsificada, e também pediu uma perícia no carro. Outro detalhe que chama atenção é o fato de que, em todo o processo, o comerciante garante não ter assinado nenhum documento, nem mesmo um contrato. O quiosqueiro só teria assinado uma autorização para o uso de imagem. Ele também não participou de nenhuma vistoria do veículo, nem da legalização no Detran, o que torna difícil de explicar como a documentação apareceu já com o nome e a assinatura dele.

Segundo o engenheiro mecânico Ítalo Oliveto, que trabalha no setor de certificação do Inmetro, todos os veículos que passam por modificações estruturais devem ser avaliados previamente pelo órgão. Ele explica que o Código Nacional de Trânsito é claro ao mencionar que antes de toda modificação é preciso levar o veículo a um posto do Inmetro para conseguir uma autorização prévia. Apenas com esse documento em mãos, a oficina pode fazer as alterações. Depois de modificado, o veículo precisa novamente ser avaliado.

“Esses procedimentos são necessários por uma questão de segurança. Só depois de todas as inspeções, se verificarmos que a nova estrutura do veículo não compromete a segurança dos passageiros, emitimos um novo certificado. Com esse documento, o proprietário deve ir ao Detran legalizar o veículo. Se alguém furar esse sistema, vai estar ilegal”, explica o engenheiro.

A assessoria de imprensa do Detran confirma que o usuário deve procurar o órgão para toda e qualquer mudança. O proprietário deve ainda pagar uma taxa de serviço e tem que fazer a vistoria do veículo. Esse é um procedimento obrigatório e obedece à resolução 25 do Conselho Nacional de Trânsito.

Durante todo este período, João Marcelo conta ter passado por maus bocados. Com o carro parado na garagem, já que o veículo não funciona e está cheio de buracos na carroceria - indícios de uma reforma malfeita - ele passou oito meses em cima de uma bicicleta.

“Fiquei esse tempo todo sem carro, carregando 12 caixas de cerveja na bicicleta para poder abastecer o quiosque. Só agora consegui comprar um fusquinha, mas não sei por quanto tempo vou poder manter o carro. Quero que esse pesadelo acabe logo e que devolvam meu carro”, afirma. 

A revista Ponto TV perguntou à Rede Globo sobre a reunião com Aloísio Legey e ainda os motivos que teriam levado a emissora a trocar de oficina. A Central Globo de Comunicação enviou o seguinte comunicado: “O quadro Lata velha, do programa Caldeirão do Huck, da Rede Globo de Televisão, tem como objetivo a reforma de veículos antigos, que estejam em mau (por vezes, péssimo) estado de conservação.

Ao longo dos três anos de produção do Lata velha, por vezes, depois da escolha dos automóveis, se verificou que eles apresentavam problemas tão graves que sequer se encontravam em situação de circular legalmente. Além disso - e principalmente - ofereciam risco para a segurança de seus proprietários, condutores e/ou passageiros. Em razão do quadro, são entregues aos respectivos donos, veículos reformados e em perfeito estado de conservação e, mais que isso, rigorosamente de acordo com as normas legais (e com a documentação em dia), exatamente de acordo com o regulamento do programa.

Quaisquer mudanças que tenham ocorrido ou venham a ocorrer no quadro Lata velha tiveram (e terão) motivação puramente artística. A Rede Globo não se manifesta sobre questões que estão sub judice”.

A assessoria da emissora não informou, no entanto, o motivo pelo qual o programa trocou de oficina mecânica. Agora, os carros que são modificados no Lata velha são reformados num estabelecimento em São Paulo.

Fonte: Revista Street Motors e Jornal do Brasil

 

novembro 25, 2008

A crise e o Saci

Arquivado em: comportamento — Prof. Nailor Marques Jr. @ 6:02 pm

A palavra crise por si só já gera uma crise. Há uma fixação por ela. Desde que me conheço por gente, desde pequenininho, que ouço meus parentes dizerem que vivemos numa crise. E a tal crise não acaba nunca. Quando era muito jovem e mais ingênuo não entendia, mas hoje vejo que a crise morava não nos fatos, mas nas cabeças das pessoas.

Eu sei que o Saci Pererê não existe, no entanto, creio com muita fé que a minha avó materna viu o diabinho trançando as crinas de um cavalo no sítio em que morava. Eu não acredito no Saci, mas minha avó sim, e se ela crê o Saci existe e então ela pode vê-lo com a clareza que exergamos árvores e pedras. A crise é como o Saci, sempre vai existir, maior ou menor, na cabeça de seus crentes.

Minha avó dizia que tudo era culpa da carestia. Eu não sabia o que significava a palavra e tinha muita raiva da tal. Quando cresci, descobri que era só outro nome para a alta dos preços, a crise de novo. Só que enquanto nós temíamos as desgraças, muita gente ficava rica. Foi assim na minha infância e é assim até hoje. Para quem gosta de Saci, crise e escuridão há muita negritude para se achar, mas para os que crêem na luz e nas oportunidades, há um Sol imenso brilhando lá fora.

novembro 18, 2008

A idade dos países

Arquivado em: política — Prof. Nailor Marques Jr. @ 6:03 pm

Um texto fantástico de ler. Uma visão bem-humorada sobre as pseudo-relações sócio-políticas entre os países da moderna geografia.

O  mundo conforme Casciari*


                                                                         Por  Hernan Casciari

Li  uma vez que a Argentina não é nem melhor, nem pior que a Espanha, só mais jovem.  Gostei dessa teoria e aí inventei um  truque para descobrir a idade dos países  baseando-me no ’sistema cão’. Desde meninos nos explicam que para saber se um  cão  é  jovem  ou velho, deveríamos multiplicar sua idade biológica por 7. No caso  de países temos que dividir sua idade histórica por 14 para conhecer sua  correspondência humana.

Confuso?  Neste artigo exponho alguns exemplares reveladores. Argentina  nasceu em 1816, assim sendo, já tem 190 anos. Se dividirmos esses anos por 14, a  Argentina tem ‘humanamente’ cerca  de  13  anos  e  meio,  ou seja, está na  pré-adolescência. É rebelde, se masturba, não tem memória, responde sem pensar e  está cheia de acne. Quase  todos os países da América Latina têm a mesma idade, e como
acontece nesses  casos, eles formam gangues. A gangue do Mercosul é formada por quatro  adolescentes que têm um conjunto de rock. Ensaiam em uma garagem, fazem muito  barulho e jamais gravaram um disco.

A  Venezuela,  que  já tem peitinhos, está querendo unir-se a eles para fazer o coro.  Em realidade, como a maioria das mocinhas da sua idade, quer é sexo, neste caso com o Brasil que tem 14 anos e um membro grande. O  México  também é adolescente, mas com ascendente indígena. Por isso, ri pouco e  não fuma nem um inofensivo baseado, como  o  resto dos seus amiguinhos. Mastiga  coca, e se junta com os Estados Unidos, um retardado mental de 17 anos, que se  dedica a atacar os meninos famintos de 6 anos em outros  continentes.

No  outro  extremo  está  a  China  milenária.  Se  dividirmos  os seus  1.200 anos por 14  obtemos uma senhora de 85, conservadora,  cheirando  a  xixi de gato, que passa o  dia comendo arroz porque não tem - ainda - dinheiro para comprar
uma dentadura  postiça. A  China  tem  um  neto de 8 anos, Taiwan, que lhe faz a vida impossível. Está  divorciada faz tempo de Japão, um velho chato, que se juntou às Filipinas, uma  jovem pirada, que sempre está disposta a qualquer aberração em troca de  grana. Depois,  estão  os  países  que são maiores de idade e saem com o BMW
do pai. Por exemplo,  Austrália e Canadá. Típicos países que cresceram ao amparo de papai Inglaterra e  mamãe França, tiveram uma educação restrita e antiquada e agora se
fingem de  loucos.

A  Austrália  é uma babaca de pouco mais de 18 anos, que faz topless e sexo com a  África do Sul. O Canadá é um mocinho gay  emancipado, que a qualquer momento pode  adotar o bebê Groenlândia para formar uma dessas famílias alternativas que
estão  na moda. A  França  é uma separada de 36 anos, mais puta que galinha, mas muito respeitada no  âmbito profissional. Tem um filho de  apenas  6  anos:  Mônaco,  que  vai  acabar  virando puto ou bailarino… ou ambas coisas. É a amante esporádica da Alemanha,  um caminhoneiro rico que está casado com Áustria, que sabe que é chifruda, mas  não se importa.

A  Itália  é  viúva  faz  muito tempo. Vive cuidando de São Marino e
do Vaticano, dois  filhos gêmeos idênticos. Esteve casada  em segundas núpcias com Alemanha - por  pouco tempo e tiveram a Suíça - mas agora não quer saber mais de homens. A  Itália  gostaria  de  ser  uma  mulher  como  a Bélgica: advogada, executiva  independente, que usa calças e fala de política de igual para igual com os  homens (A Bélgica também fantasia de vez em quando que sabe preparar  espaguete).

A  Espanha  é  a  mulher mais linda de Europa (possivelmente a França se iguale a ela,  mas perde em espontaneidade por usar  tanto  perfume).  É muito tetuda e quase  sempre está bêbada. Geralmente se deixa foder pela Inglaterra e depois a
denuncia.  A Espanha tem filhos por todas as partes (quase todos de 13 anos), que  moram longe. Gosta muito deles, mas a perturbam quando têm fome, passam uma  temporada na sua casa e assaltam sua geladeira. Outro  que tem filhos espalhados no mundo é a Inglaterra. Sai de barco à noite, transa  com alguns babacas e nove meses
depois,  aparece  uma  nova  ilha em alguma parte do  mundo. Mas não fica de mal com ela. Em geral, as ilhas vivem com a mãe, mas a  Inglaterra as alimenta. A Escócia e a Irlanda, os irmãos de Inglaterra que moram  no andar de cima, passam a
vida inteira bêbados e nem sequer sabem jogar  futebol. São a vergonha da família.

A  Suécia  e a Noruega são duas lésbicas de quase 40 anos, que estão bem de corpo,  apesar da idade, mas não ligam para ninguém.  Transam e trabalham, pois são  formadas em alguma coisa. Às vezes, fazem trio com a Holanda (quando necessitam
maconha);  outras vezes cutucam a Finlândia, que é um cara meio andrógino de 30  anos, que vive só em um apartamento sem mobília e passa o tempo falando pelo  celular com Coréia. Coréia  (a do sul) vive de olho na sua irmã esquizóide. São gêmeas, mas a do Norte tomou  líquido amniótico quando saiu do  útero  e ficou estúpida. Passou a infância  usando pistolas e agora, que vive só, é capaz de qualquer coisa.

Os Estados Unidos,  o retardadinho de 17 anos, a vigia muito, não por medo, mas porque quer pegar  suas pistolas. Israel  é um intelectual de 62 anos que teve uma vida de merda. Faz alguns anos,  Alemanha, o caminhoneiro, não a viu e a  atropelou.  Desde  esse  dia, Israel ficou  que nem louco. Agora, em vez de ler livros, passa o dia na sacada jogando pedras  na Palestina, que é uma mocinha que está lavando a roupa na casa do  lado. Irã  e Iraque eram dois primos de 16 que roubavam motos e vendiam as
peças, até que  um dia roubaram uma peça da motoca dos Estados Unidos e acabou o negócio para  eles. Agora estão comendo lixo.

O  mundo estava bem assim até que, um dia, a Rússia se juntou (sem
casar) com a  Perestroika e tiveram uma dúzia e meia de filhos. Todos esquisitos, alguns  mongolóides, outros esquizofrênicos. Faz  uma semana, e por causa de um conflito com tiros e mortos, nós, habitantes  sérios do mundo, descobrimos que tem um
país  que  se  chama Kabardino-Balkaria. É  um país com bandeira, presidente, hino, flora, fauna… e até gente! Eu fico com  medo  quando  aparecem  países  de pouca idade, assim de repente. Que saibamos deles  por ter ouvido falar e ainda
temos que fingir que sabíamos, para não passar por  ignorantes. Mas  aí, eu pergunto: por que continuam nascendo países, se os que já existem ainda  não funcionam?

 

*Hernán  Casciari nasceu em Mercedes, Buenos Aires, a 16 de março de 1971. Escritor e  jornalista argentino. É conhecido por  seu trabalho ficcional na Internet, onde  tem trabalhado na união entre literatura e blog, destacado na blognovela.
Sua  obra mais conhecida na rede, Weblog de una mujer gorda, foi editada em papel  com o título Más respeto, que soy tu madre.

 

 

 

novembro 11, 2008

Morro e não vejo tudo

Arquivado em: comportamento — Prof. Nailor Marques Jr. @ 12:41 pm

Vejam até que ponto a petulância chega no Brasil. Um ladrão agredido enquanto tentava roubar uma padaria, resolveu ingressar com uma ação criminal contra o seu agressor (o dono da padaria), tentando defender o seu legítimo direito de assaltar sem apanhar de quem ele rouba. Como diria o Bóris: isso é uma vergonha!

 

Depois de ser agredido, assaltante ingressa com queixa-crime contra a vítima do roubo

A Justiça de  Minas Gerais rejeitou uma curiosa queixa-crime movida pelo assaltante contra a própria vítima da investida criminosa. São principais personagens do insólito processo penal o estudante Wanderson Rodrigues de Freitas, 22 de idade, e o comerciante Márcio Madureira Vieira, dono de uma padaria em Belo Horizonte. Também figura como querelado Leonardo di Sálvio Lima Rodrigues, mas deste, a exordial não descreve qualquer conduta delitiva.

Segundo os autos, “o querelante (Wanderson) ao cometer crime de roubo no interior da Padaria Passa Bem, debruçando-se sobre o caixa e aparentemente apontando uma arma de fogo para a gerente, teria tido a ação interrompida pela querelado (Márcio) que, percebendo tratar-se de um assalto, teria ido em socorro da funcionária do estabelecimento e, em conseqüência, travado um embate corporal com o querelante, vindo este a fraturar o nariz”.

O relato é feito na sentença proferida pelo juiz Correa Camargo, da 2ª Vara Criminal de Belo Horizonte (MG) que rejeitou a queixa-crime. A peça inicial  detalha a lesão corporal.

O magistrado observa que “após longos anos no exercício da magistratura, talvez seja o presente caso o de maior aberração postulatória”. O juiz também avalia que “a pretensão de querelante, criminoso confesso - conforme os  termos da própria inicial - apresenta-se como um indubitável deboche, constituindo-se em uma afronta ao Judiciário”.

O julgado conclui que
“a queixa-crime ofertada deve ser de pronto rejeitada uma vez não se vislumbrar qualquer fato criminoso praticado pelos querelados, tratando-se o caso de verdadeira excludente de ilicitude, mais precisamente de legitima defesa”.

Conforme a petição inicial, o proprietário “se excedeu no direito de legítima defesa” ao desferir golpes que fraturaram o nariz do rapaz, logo após se deparar com ele na tentativa da fuga.

Ainda segundo a querela, o assaltante foi agredido por clientes da padaria. (Proc. nº 002408246471-0).

Contraponto

O repórter Alessandro Cristo, da revista Consultor Júrídico, conseguiu ouvir o advogado José Luiz Oliva Silveira Campos, que foi o subscritor da queixa-crime. Ele disse que irá apelar da sentença e tentará anular o processo criminal contra o estudante, sob o argumento de que “a confissão do crime foi obtida por meio de coação”, já que Wanderson só teria assumido o ato depois da surra. “Não estou defendendo vagabundo, mas apenas questionando o excesso na legítima defesa”, afirma Oliva.

O advogado também explica que o objeto apontado pelo assaltante foi um pedaço de madeira e que nada justifica a “prática da justiça com as próprias mãos” pelo proprietário do local, com base no artigo 129 do Código Penal.

Ele diz que um dos laudos médicos mostrou que o rapaz precisará de uma cirurgia plástica.

Segundo o advogado, o estudante era cliente assíduo da padaria, morador do bairro na casa dos pais e foi filmado pelas câmeras de segurança. “Todo mundo sabia quem ele era e onde morava. Deveriam deixá-lo ir e esperar pela ação da polícia”, diz. 
 

novembro 7, 2008

A simplicidade mora ao lado

Arquivado em: comportamento — Prof. Nailor Marques Jr. @ 11:29 am

Gosto desse texto, volta e meia, em variadas versões, eu o recebo e acho que merece uma lida. De novo a autoria me é desconhecida, aceito, como em outros casos, contribuições.

O sujeito vai ao psiquiatra

- Doutor, diz ele, estou com um problema. Toda vez que estou na cama, acho que tem alguém embaixo. Aí eu vou embaixo da cama e acho que tem alguém em cima. Para baixo, para cima, para baixo, pra cima. Estou ficando maluco!

- Deixe-me tratar de você durante dois anos, diz o psiquiatra. Venha três vezes por semana, e eu curo este problema.

- E quanto o senhor cobra? - pergunta o paciente.

- R$ 120,00 por sessão - responde o psiquiatra.

- Bem, eu vou pensar, conclui o sujeito.

Passados seis meses, eles se encontram na rua.

- Por que você não me procurou mais? Pergunta o psiquiatra.

- A 120 paus a consulta, três vezes por semana, durante dois anos, ia ficar caro demais, ai um sujeito num bar me curou por 10 reais.

- Ah é? Como? Perguntou o psiquiatra. E como pilantra resolveu o assunto, posso saber?

O sujeito responde:

- Por R$ 10,00 ele cortou os pés da cama.

Muitas vezes o problema é sério, mas a solução pode ser

muito simples.