Prof. Nailor Marques Jr.

outubro 31, 2008

Mister Max

Arquivado em: comportamento — Prof. Nailor Marques Jr. @ 9:02 am

Vale a pena ler mais essa sacada de Mister Max (o Gheringer)

Os cinco estágios da carreira

Existem cinco estágios em uma carreira:

O PRIMEIRO ESTÁGIO é aquele em que um funcionário precisa usar crachá, porque quase ninguém na empresa sabe o nome dele.

No SEGUNDO ESTÁGIO, o funcionário começa a ficar conhecido dentro da empresa e seu sobrenome passa a ser o nome do departamento em que
trabalha. Por exemplo, Heitor do contas a pagar.

No TERCEIRO ESTÁGIO, o funcionário passa a ser conhecido fora da empresa e o nome da empresa se transforma em sobrenome. Heitor do banco tal.

No QUARTO ESTÁGIO, é acrescentado um título hierárquico ao nome dele: Heitor, diretor do banco tal.

Finalmente, no QUINTO ESTÁGIO, vem a distinção definitiva. Pessoas que mal conhecem o Heitor passam a se referir a ele como “o meu amigo Heitor, diretor do banco tal”. Esse é o momento em que uma pessoa se torna, mesmo contra a sua vontade, em “amigo profissional”.

Existem algumas diferenças entre um amigo que é amigo e um amigo profissional. Amigos que são amigos trocam sentimentos. Amigos profissionais trocam cartões de visita.

Uma amizade dura para sempre. Uma amizade profissional é uma relação de curto prazo e dura apenas enquanto um estiver sendo útil ao outro.

Amigos de verdade perguntam se podem ajudar. Amigos profissionais solicitam favores. Amigos de verdade estão no coração. Amigos profissionais estão em uma planilha.

É bom ter uma penca de amigos profissionais.
É isto que, hoje, chamamos de
networking, um círculo de relacionamentos puramente profissional. Mas é bom não confundir uma coisa com a outra.
Amigos profissionais são necessários. Amigos de verdade, indispensáveis.

 

Algum dia, e esse dia chega rápido, os únicos amigos com quem poderemos contar serão aqueles que fizemos quando amizade ainda era coisa de amadores.

 

 

outubro 28, 2008

O Catador de sonhos

Arquivado em: comportamento — Prof. Nailor Marques Jr. @ 1:00 pm

Aquele homem podia se chamar Pedro, José, Antônio, mas há momentos na vida que nomes são totalmente desimportantes.

Quando chegava em casa, debaixo de uma chuva torrencial, naquela tarde de sábado de dezembro de 1998, já levemente alcoolizado, vindo de um churrasco de formatura de meus alunos do Colégio Nobel, em Maringá, no Paraná, vi um homem catando papéis velhos de um container de lixo, desses que costumam estar na frente dos prédios. Era ele o catador sem nome. Mas de presença inequívoca.

Entrei na garagem e tomado de um remorso enorme, de uma culpa existencial, de um vazio por dentro, desses que todos somos assolados vez por outra quando nos deparamos com a miséria humana. Pensei que pudesse tomar o elevador, sem maiores preocupações, afinal não havia sido eu quem colocara aquele homem na situação em que se encontrava. Não pude, no entanto, subir nem um degrau da escada, nem esperar o elevador, nem me mover para nenhum lugar que não fosse na direção dele.

Senti muita culpa de, nesse dia de descanso, eu estar feliz e embriagado, indo para a cama em plena tarde, aproveitar a boa chuva que caía e saber que aquele homem estava lá fora, trabalhando e sabe-se lá quanto tempo iria permanecer assim. Pensei que pudesse comprar minha consciência dando algum dinheiro para ele.

Elaborei um pequeno plano para não ofendê-lo, já que não era um pedinte, era apenas um homem pobre trabalhando para ganhar seu sustento e, talvez, de sua família. Retirei uma nota de dez reais da carteira, molhei no chão para fingir que havia encontrado e então poderia dar a ele, como se tivesse sido ele a encontrá-la.

Parei diante do homem e com voz dissimulada perguntei-lhe: “o senhor é um homem de sorte?”

Sem parar de fazer seu trabalho, o estranho apenas me olhou e disse: “sim, acho que sim. Eu cato papel velho na rua para sustentar minha família e todos os dias eu consigo papel suficiente para comer e morar. Ganho mais ou menos uns oito reais por dia. É o suficiente.”

Quando ele me disse que tinha sorte, eu pensei em mim mesmo e na vida que levava, muitas vezes reclamando por nada e de nada. Contei que havia achado aquela nota, que inclusive ainda estava molhada e que não achava certo que ela ficasse comigo, porque não precisava dela e então resolvi dar a ele, e dei.

O homem pegou o dinheiro, com uma alegria natural e me disse o que nunca esperei ouvir: “viu como sou um homem de sorte. Hoje lá em casa vamos comer até carne!”

Aquele homem podia se chamar Pedro, José, Antônio, mas era apenas um homem, um catador de papéis, que, hoje, me ensinou a ser um catador de sonhos.

 

outubro 27, 2008

A arte de dizer NÃO

Arquivado em: comportamento — Prof. Nailor Marques Jr. @ 11:32 am

Recebi este texto da minha amiga Rivy, mas não veio com o autor (a), quem souber me avise. O texto é lindo e forte. Precisa ser lido e pensado.

Recebi do leitor do blog, Anderson Zanardo, que a autora é Karina dos Santos Cabral.

 

                                           Criando um Monstro

 

O que pode criar um monstro? O que leva um rapaz de 22 anos a estragar a própria vida e a vida de outras duas jovens por… Nada?

 

Traumas? Raiva contida? Deficiência social ou mental? Permissividade da sociedade? O que faz alguém achar que pode comprar armas de fogo, entrar na casa de uma família, fazer reféns, assustar e desalojar vizinhos, ocupar apolícia por mais de 100 horas e atirar em duas pessoas inocentes?

 

O rapaz deu a resposta: ‘ela não quis falar comigo’. A garota disse não, não quero mais falar com você. E o garoto, dizendo que ama, não aceitou um não. Seu desejo era mais importante.

 

Não quero ser mais um desses psicólogos de araque que infestam os programas vespertinos de televisão, que explicam tudo de maneira muito simplista e falam descontextualizadamente sobre a vida dos outros sem serem chamados. Mas ontem, enquanto não conseguia dormir pensando nesse absurdo todo, pensei que o não da menina Eloá foi o único. Faltaram muitos outros nãos nessa história toda.

 

Faltou um pai e uma mãe dizerem que a filha de 12 anos NÃO podia namorar um rapaz de 19. Faltou uma outra mãe dizer que NÃO iria sucumbir ao medo e ir lá tirar o filho do tal apartamento a puxões de orelha. Faltou outros pais dizerem que NÃO iriam atender ao pedido de um policial maluco de deixar a filha voltar para o cativeiro de onde, com sorte, já tinha escapado com vida. Faltou a polícia dizer NÃO ao próprio planejamento errôneo de mandar a garota de volta pra lá. Faltou o governo dizer NÃO ao sensacionalismo da imprensa em torno do caso, que permitiu que o tal seqüestrador conversasse e chorasse compulsivamente em todos os programas de TV que o procuraram. Simples assim. NÃO. Pelo jeito, a única que disse não nessa história foi punida com uma bala na cabeça.

 

O mundo está carente de nãos. Vejo que cada vez mais os pais e professores morrem de medo de dizer não às crianças. Mulheres ainda têm medo de dizer não aos maridos ( e alguns maridos, temem dizer não às esposas ). Pessoas têm medo de dizer não aos amigos. Noras que não conseguem dizer não às sogras, chefes que não dizem não aos subordinados, gente que não consegue dizer não aos próprios desejos. E assim são criados alguns monstros. Talvez alguns não cheguem a sequestrar pessoas. Mas têm pequenos surtos quando escutam um não, seja do guarda de trânsito, do chefe, do professor, da namorada, do gerente do banco. Essas pessoas acabam crendo que abusar é normal. E é legal.

 

Os pais dizem, ‘não posso traumatizar meu filho’. E não é raro eu ver alguns tomando tapas de bebês com 1 ou 2 anos. Outros gastam o que não têm em brinquedos todos os dias e festas de aniversário faraônicas para suas crias. Sem falar nos adolescentes. Hoje em dia, é difícil ouvir alguém dizer não, você não pode bater no seu amiguinho. Não, você não vai assistir a uma novela feita para adultos. Não, você não vai fumar maconha enquanto for contra a lei. Não, você não vai passar a madrugada na rua. Não, você não vai dirigir sem carteira de habilitação. Não, você não vai beber uma cervejinha enquanto não fizer 18 anos. Não, essas pessoas não são companhias pra você. Não, hoje você não vai ganhar brinquedo ou comer salgadinho e chocolate.

Não, aqui não é lugar para você ficar. Não, você não vai faltar na escola sem estar doente. Não, essa conversa não é pra você se meter. Não, com isto você não vai brincar. Não, hoje você está de castigo e não vai brincar no parque.

 

Crianças e adolescentes que crescem sem ouvir bons, justos e firmes NÃOS crescem sem saber que o mundo não é só deles. E aí, no primeiro não que a vida dá ( e a vida dá muitos ) surtam. Usam drogas. Compram armas. Transam sem camisinha. Batem em professores. Furam o pneu do carro do chefe. Chutam mendigos e prostitutas na rua. E daí por diante.

 

Não estou defendendo a volta da educação rígida e sem diálogo, pelo contrário. Acredito piamente que crianças e adolescentes tratados com um amor real, sem culpa, tranquilo e livre, conseguem perfeitamente entender uma sanção do pai ou da mãe, um tapa, um castigo, um não. Intuem que o amor dos adultos pelas crianças não é só prazer - é também responsabilidade. E quem ouve uns nãos de vez em quando também aprende a dizê-los quando é preciso. Acaba aprendendo que é importante dizer não a algumas pessoas que tentam abusar de nós de diversas maneiras, com respeito e firmeza, mesmo que sejam pessoas que nos amem. O não protege, ensina e prepara.

 

Por mais que seja difícil, eu tento dizer não aos seres humanos que cruzam o meu caminho quando acredito que é hora - e tento respeitar também os nãos que recebo. Nem sempre consigo, mas tento. Acredito que é aí que está a verdadeira prova de amor. E é também aí que está a solução para a violência cada vez mais desmedida e absurda dos nossos dias.

 

 

outubro 21, 2008

Lindeberg e o Titanic

Arquivado em: comportamento — Tags: — Prof. Nailor Marques Jr. @ 12:45 pm

O episódio de Santo André (que a televisão insiste em não nomear, chamando apenas de tragédia na grande São Paulo) é perfeitamente comparável ao caso do naufrágio do Titanic (que afundou em 14 de abril de 1912 em sua viagem inaugural depois de bater contra um iceberg). Todos devem se perguntar por quê?

A reposta é simples: antes do navio partir todo mundo era unânime em dizer que era o maior transatlântico do mundo e que era inafundável. Não houve uma viva alma que levantasse as fragilidades do navio. Depois do seu afundamento, sobraram “cientistas”, videntes, técnicos de toda a espécie com uma teoria para o acontecido. Assim também com Lindeberg. Até os tiros era apenas um jovem apaixonado lutando por seu amor (não existem jovens apaixonados com arma na mão fazendo reféns, bandidos agem assim). Depois dos tiros e da morte da garota, ele virou um assassino frio. Precisamos de ação de mais e teoria de menos. Não quero ser mais um a tentar explicar, mas acho que temos na televisão e na polícia xeretas demais e conhecedores de menos.

outubro 20, 2008

Reflexões pedagógicas

Arquivado em: Educação — Prof. Nailor Marques Jr. @ 3:08 pm

Dia 09/10/08 realizei uma façanha, provei para mim mesmo e para muitos que santo de casa pode fazer sim, alguns milagres. O evento que vinha sendo divulgado an página e no blog foi um sucesso. Contamos com a presença de 530 pessoas, sendo que o evento e seus desdobramentos envolveu 1143 professores e interessados. 14 municípios estiveram presentes. A festa foi linda e abrilhantada pelo coral do Instituto da Música de Maringá. Fico muito agradecido a todos que se emprenharam para este sucesso e divido com meus (alguns) leitores uma fotos.