Prof. Nailor Marques Jr.

julho 20, 2008

Normose

Arquivado em: comportamento — Tags:, , — Nailor Marques Jr. @ 12:06 am
Ser normal pode ser uma perigosa doença.
Eu sempre tive grande admiração pela poeta gaúcha Martha Medeiros e quando recebi este artigo, que se lê abaixo, publicado no jornal Zero Hora, de 05/08/07, me senti renovado em admiração, por isso quero dividi-lo com meus dois ou três leitores.
Lendo uma entrevista do professor Hermógenes, 86 anos, considerado o fundador da ioga no Brasil, ouvi uma palavra inventada por ele que me pareceu muito procedente: ele disse que o ser humano está sofrendo de normose, a doença de ser normal. Todo mundo quer se encaixar num padrão.
Só que o padrão propagado não é exatamente fácil de alcançar. O sujeito “normal” é magro, alegre, belo, sociável, e bem-sucedido. Quem não se “normaliza” acaba adoecendo. A angústia de não ser o que os outros esperam de nós gera bulimias, depressões, síndromes do pânico e outras manifestações de não enquadramento.
A pergunta a ser feita é: quem espera o que de nós? Quem são esses ditadores de comportamento a quem estamos outorgando tanto poder sobre nossas vidas?Eles não existem. Nenhum João, Zé ou Ana bate à sua porta exigindo que você seja assim ou assado. Quem nos exige é uma coletividade abstrata que ganha “presença” através de modelos de comportamento amplamente divulgados. Só que não existe lei que obrigue você a ser do mesmo jeito que todos, seja lá quem for todos. Melhor se preocupar em ser você mesmo.
A normose não é brincadeira. Ela estimula a inveja, a auto-depreciação e a ânsia de querer o que não se precisa. Você precisa de quantos pares de sapato? Comparecer em quantas festas por mês? Pesar quantos quilos até o verão chegar?Não é necessário fazer curso de nada para aprender a se desapegar de exigências fictícias. Um pouco de auto-estima basta.
Pense nas pessoas que você mais admira: não são as que seguem todas as regras bovinamente, e sim aquelas que desenvolveram personalidade própria e arcaram com os riscos de viver uma vida a seu modo. Criaram o seu “normal” e jogaram fora a fórmula, não patentearam, não passaram adiante. O normal de cada um tem que ser original. Não adianta querer tomar para si as ilusões e desejos dos outros. É fraude. E uma vida fraudulenta faz sofrer demais.
Eu não sou filiada, seguidora, fiel, ou discípula de nenhuma religião ou crença, mas simpatizo cada vez mais com quem nos ajuda a remover obstáculos mentais e emocionais, e a viver de forma mais íntegra, simples e sincera. Por isso divulgo o alerta: a normose está doutrinando erradamente muitos homens e mulheres que poderiam, se quisessem, ser bem mais autênticos e felizes.

julho 15, 2008

Medidor de caráter

Arquivado em: política — Tags:, , — Nailor Marques Jr. @ 11:48 pm

 

O Brasil está entrando na era mundial da defesa da integridade moral, para quem achava que ter caráter era estar fora de moda é hora de rever alguns conceitos. Se o teste fosse aplicado aos políticos, acho que a máquina explodiria.
Software descobre o caráter do candidato
Keila Baraçal (Folha, 01/07/08)

Atenção, candidatos a novas vagas no mercado de trabalho. Para quem estava acostumado a passar pelo conhecido detector de mentiras (polígrafo), em uma próxima entrevista, poderá encontrar o “Integrity Meter”, o novo medidor de integridade. Trata-se de um software desenvolvido pelo governo de Israel que, através de perguntas objetivas, consegue verificar o caráter de quem está sendo analisado. Segundo Ronen Ben Efrain, sócio da Global Advising – empresa responsável pela chegada do produto ao Brasil –, para verificar o perfil do candidato, é necessário aplicar, pela internet, alguns testes com duração aproximada de meia hora. Ao aspirante à vaga, são feitas perguntas com duas opções de alternativas (sim e não). Nestas questões, o software é capaz de detectar se o candidato é ou já foi usuário de drogas, se já esteve ligado a algum tipo de crime, dívida, ou até mesmo, se está em fase de tratamento psicológico. Com a filosofia “Funcionários íntegros ajudam sua empresa a crescer”, o programa já é aplicado em 15 países e está disponível em inglês, português, espanhol, francês, hebraico, russo e árabe. Após o término da prova, a empresa responsável pela aplicação recebe, instantaneamente, um laudo com os indicativos do caráter do candidato. O resultado deste teste fará parte de uma segunda fase - a entrevista pessoal - que fica a cargo dos gestores de RH ou de Segurança. Estes profissionais saberão, por exemplo, como conduzir a entrevista, de modo que o caráter do candidato seja entendido completamente. Ronen já fez experiências para a contratação de pessoas para a sua empresa e afirma que a qualidade é garantida. Outras informações: www.integritybrasil.com 

julho 10, 2008

O poder do improviso

Arquivado em: comportamento — Tags:, — Nailor Marques Jr. @ 12:02 am
Improvisar é uma arte. Não é para todos e não resulta simplesmente do fato de querer fazer uma coisa sem planejá-la antes. Planejar é tudo (ou quase) na vida da gente. Conheço muitas histórias de gente que tentou fazer o que não devia ou não estava preparada para fazer e quebrou a cara. Quero contar aqui duas histórias;
1) Essa eu ouvi do Jerry, um professor que trabalha comigo no Nobel. Um amigo dele dirigia sem carteira de habilitação há muito tempo e sempre contava com a sorte. Valia-se do fato de que seria capaz de improvisar algo, assim que encontrasse a polícia no seu caminho. O tal dia chegou. De surpresa o rapaz dera de cara uma blitz. Pensou rápido, improvisou, estacionou (a idéia era fingir que era um moto-boy e que procurava uma pessoa qualquer numa casa, inventaria um nome qualquer e como não existiria a tal pessoa, voltariae iria embora, plano perfeito). Parou diante de uma casa, bateu palmas, foi atendido por uma senhora e perguntou:
- Seu Zé está?
A mulher prontamente respondeu:
- Está sim, espere um pouco que vou chamá-lo.
Não preciso dizer que ele pegou a moto e fugiu. Até para improvisar é preciso algum talento e planejamento.
2) Essa eu li no livro da professora Giovana Fontes. Um homem norte-americano foi promovido e transferido para Nova Iorque. logo depois que se mudou, foi convidado pelo seu superior para um jantar, para que as duas mulheres se conhecessem e, quem sabe, pudessem ser amigas.
Na casa do diretor, na mesa do jantar, a mulher do promovido notou que a mulher do superior era um pouco gordo e perguntou:
- Você está grávida?
Pergunta que ninguém pode fazer, nem que o bebê já esteja pendurado entre as pernas. Devemos pensar que se trata de um chaveiro diferente.
A mulher respondeu, sem maiores rodeios:
- Não, sou gorda mesmo!
A primeira mulher, sem graça, mas inconseqüente, resolveu improvisar e consertar a situação. Nunca devemos fazer isso, a chance de piorar é enorme.
- Você tem quantos filhos? Com a pergunta ela pretendia estabelecer uma relação entre a idade dos filhos e a gordura.
- Tenho três.
- Qual é a idade do mais novo?
- Oito meses.
- Ah, então é isso, às vezes o corpo demora mais para voltar, a gente acaba demorando mais para voltar ao normal.
A mulher seca e sem rodeios mais uma vez, sentenciou:
- É adotado.