Prof. Nailor Marques Jr.

maio 17, 2010

Seu ou Teu: eis a questão.

Arquivado em: Educação — Prof. Nailor Marques Jr. @ 1:49 pm

O Uso dos pronomes TEU e SEU podem resolver ou complicar a vida das pessoas. Segue-se um pequeno exemplo, que ilustra bem essa quaetão:

O Diretor Geral de um Banco, estava preocupado com um jovem e brilhante Diretor, que depois de haver trabalhado durante algum tempo junto dele, sem parar nem para almoçar, começou a
ausentar-se ao meio-dia. Então o Diretor Geral do Banco, chamou um detetive privado do banco e disse-lhe:

- “Siga o Diretor Lopes durante uma semana, espero que ele não ande fazendo algo sujo.”

O detetive, após cumprir o que lhe havia sido pedido, voltou e informou:

- “O Diretor Lopes sai normalmente ao meio-dia, pega seu carro, vai a sua  casa almoçar, faz amor com sua mulher, fuma um dos seus excelentes cubanos e regressa ao trabalho”. Responde o Diretor Geral:

- “Ah, bom, antes assim. Não há nada de mal nisso.”
Logo em seguida, o detetive, querendo fazer se entender melhor, pergunta:

- “Desculpe. Posso tratá-lo por tu?”

- “Sim, claro” - respondeu o Diretor surpreso.

- “Bom então vou repetir:” - disse o detetive

- “O Diretor Lopes sai normalmente ao meio-dia, pega teu carro, vai até a tua casa almoçar, transa com a tua mulher, fuma um dos teus excelentes cubanos e regressa ao trabalho.” É assim!

maio 7, 2010

Boa leitura

Arquivado em: Educação — Prof. Nailor Marques Jr. @ 2:39 pm

Atendendo ao gentil pedido do meu assíduo leitor, Wilson Olsen Junior, um dos 5 que me lê. Vou fazer umas indicações de leitura que acredito valham a pena;

1) O Andar do bêbado, de Leonard Mlodinov, editora Zahar. É muito interessante porque é um estudo sobre o acaso, baseado no pensamento do Nobel de economia, 2002, Daniel Kahneman. Exije algum conhecimento de matemática, mas posso garantir que eu, leigo no assunto, acompanhei bem o raciocínio do autor.

2) A Conquista da felicidade, de Bertrand Russel, editora Ediouro. Apesar do título não é autoajuda, pelo menos não no sentido piegas do termo, é um livro fantástico do também ganhador do Nobel, mas de literatura, o filósofo e matemático, Russel. Um livro de 1930 sobre o que ele poensava ser importante para o homem no início do século XX. O mais lindo: ele tinha razão.

3) A Coroa, a cruz e a espada, de Eduardo Bueno, editora Objetiva. Esse é o que se pode chamar de quarto volume da série histórica que o jornalista escreveu sobre o Brasil dos primeiros tempos. Junto com ela, eu recomendaria os primeiros três que são também perfeitos, divertidos e instrutivos (A viagem do descobrimento; Naufragos, traficantes e degredados e Capitães do Brasil), principalmente para quem ser instroduzido no mundo da história do Brasil.

4) D. João II - o homem e o manarca, de Mário Domingues, editora Prefácio. Para quem se interessa por história de Portugal, está aqui um livro imperdível, a história bem contada de um dos reis mais importantes da Dinastia dos Avis. Todos nós louvamos D. Manuel, o venturoso, sucessor e cunhado de D. João II, mas nos esquecemos que o sucesso de D. Manuel é em grande parte devido à inteligência política de D. João.

Boa sorte, boa leitura.

março 9, 2010

Dia internacional da mulher

Arquivado em: Educação — Prof. Nailor Marques Jr. @ 3:33 pm

Educação para ser mulher

 

Escrever matérias semanais nos apresenta, por vezes,  um ingrediente divertido e inusitado: de repente você deixa de escrever o que te apetece e passa a responder à interação dos seus leitores. Desde que comecei com minha coluna via internet, tenho percebido um aumento crescente de pessoas que lêem e palpitam contra, a favor, ou ainda, que sugerem temas que gostariam de ver tratados. Acho muito interessante, mas fico com a impressão de que estou sempre um passo atrás dos acontecimentos. Escrevo, ou pelo menos tento, sobre temas mais perenes, para que as matérias não envelheçam com muita rapidez, para que mantenham um certo oxigênio.

Estou dizendo isso, porque recebi inúmeros pedidos para que tivesse me manifestado no Dia Internacional da Mulher. Acho bom que as pessoas queiram saber o que penso e por isso resolvi abordar o assunto. Não sei se  repetirei o mesmo em outros acontecimentos, porque não gosto de datas e saibam que isso inclui aniversário, Natal, Ano Novo e congêneres. Tenho para mim que nesses dias, todo mundo resolve encarnar o espírito da comemoração e tudo fica pasteurizado, artificial e chato. Por conta dessa impressão, tento me manter à distância desses festejos, não quero colocá-las no perder de vista do horizonte, quero apenas manter uma distância higiênica e segura.

No caso do dia das mulheres me rendi ao fato, porque acho que umas verdades precisam ser ditas sobre homens e mulheres, depois que alguém alardeou que houve uma grande mudança no mundo, nessa “guerra dos sexos”. Comemorar o dia das mulheres, dos gays, dos homens, dos negros, dos deficientes ou qualquer outro dia, desses inventados por vereadores desocupados, deputados insossos ou organismos internacionais ineficientes é tão importante quanto “levar um copo à água das fontes”, como diria Fernando Pessoa. Ou todo dia pensamos, falamos e agimos com coerência ou não adianta inventar um dia para desculpar nossas consciências pesadas porque não fazemos nossa lição de casa. Vejo e vi muitas manifestações públicas e privadas no tal dia das mulheres, mas também notei que logo após elas, as mesmas manifestantes ferrenhas e oradoras iradas, voltavam a levar a vida que levavam antes. Não precisou nem acabar o dia, bastou anoitecer. As vidas não mudam porque as pessoas fazem aniversário ou o ano vira no calendário. As vidas mudam porque as pessoas tomam as rédeas de seus destinos e fazem com que as mudanças aconteçam.

É preciso parar de iludir as pessoas com a falsa idéia de que com a criação de seus dias  específicos a vida delas vai melhorar. Está mais do que na hora de ensinar os seres humanos a trabalhar por aquilo que eles querem, para que possam transformar suas próprias existências em um dia especial atrás do outro e logo em toda uma vida especial, de acordo com o que querem e não com o desejo dos outros. Eduquemos então, a partir de agora, nossas meninas para serem mulheres, assumirem-se como tais e deixarem de pensar que deverão ser como os homens. As mulheres nunca serão os homens, porque não podem, nem precisam ser (graças a Deus é assim!). Uma mulher que conseguir tirar nota 10 na escola para virar homem, será, na melhor das hipóteses, um homem de segunda linha. Os homens e as mulheres são maravilhosamente diferentes.

As mulheres devem ser educadas para tirar proveito de sua capacidade maior de serem justas (quando seus pares são mais tendenciosos); de sua dedicação à causa humana (enquanto o sexo oposto pende mais para o indivíduo e a competição); de seu maior coeficiente de humanidade (no lugar dos homens sempre tão dispostos a guerrear por bobagens e conquistas baratas); de sua vocação natural para fazer o bem e compreender o próximo e de seu apego às coisas da família (basta que vejamos a sua capacidade de agregar os parentes em torno de si); de sua propensão a dizer sim ou não sem grandes traumas (enquanto os homens enrolam e nunca ninguém sabe direito o que querem).

Mulheres precisam apenas aprender a ser mulheres, a se tornar mulheres, a se exercitar mulheres, a viver como mulheres, a amar como mulheres, a ser felizes e infelizes, atrevidas e comportadas, mágicas e previsíveis, comprometidas ou largadas, mães ou tias, realistas ou sonhadoras como mulheres que todos nós precisamos e queremos. Não há obra de arte melhor acabada do que uma mulher orgulhosa de si e, tenho para mim, que a educação para esse comportamento tornaria o mundo mais habitável, o céu mais azul, os anos mais límpidos, as agruras mais suportáveis e os destinos mais cumpríveis. Tenho para mim que quando homens e mulheres entenderem a verdade disso elas estarão, como diria o poeta, colocadas no início do céu para encontrarem-se com os homens postados no final da terra e juntos voarem, perpetuarem-se, e colocarem inúmeros tijolos nessa incomparável construção chamada espécie humana.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

julho 30, 2009

Alguém pode me explicar? VII

Arquivado em: Educação — Prof. Nailor Marques Jr. @ 8:58 am

O cabeça na cabeça dos BURROCRATAS do MEC quando pretendem eliminar o excelente trabalho das APAEs e incorporar, em nome de uma pretensa igualdade, os alunos com necessidades especiais às falidas escolas, ditas normais?

julho 14, 2009

Longe do estéril turbilhão da rua (vestibular 2009)

Arquivado em: Educação — Prof. Nailor Marques Jr. @ 1:40 pm

Assim começa o poema “A um poeta”, de Olavo Bilac, diz ele que os poetas devem viver à margem de tudo e de todos para construir bem o seu trabalho. Parece que as universidades pensam também assim.

Nesse vestibular de inverno (2009) presenciamos duas demonstrações lamentáveis;

1) Vestibular da UEM (Universidade estadual de Maringá), mesmo com 40 questões do primeiro dia, os elaboradores não encontraram um espacinho sequer para incluir Darwin. O mundo inteiro reverencia os 200 anos de seu nascimento e os 50 da publicação de “A Origem das espécies” e o vestibular ignora completamente o fato, como se a universidade vivesse mesmo longe do estéril turbilhão onde vivem os simples mortais, que fazem as provas, pagam impostos e os salários desses mesmos professores.

2) A anulação da prova de literatura da ACAFE/SC, simplesmente porque os elaboradores confundiram a lista de livros do ano passado com a desse ano (só por esse pequeno detalhe). Todos os alunos leram as regras, menos os professores que vivem e trabalham longe do estéril turbilhão. A coordenadora de concursos do Sistema Acafe, Lucinara Marin, teve o displante de dizer “que a instituição lamenta muito pelo erro ocorrido no vestibular de inverno (…) Foi uma fatalidade, um erro que aconteceu”.

março 2, 2009

Leitura 2009, II

Arquivado em: Educação — Prof. Nailor Marques Jr. @ 4:54 pm

Conforme havi dito anteriormente, para quem me acompanha, seguem mais dois livros lidos esse ano.

03) Diário do farol, de João Ubaldo Ribeiro. Editora Nova Fronteira, 304 páginas. Quem já leu o baiano João Ubaldo sabe que loucura, sexo, gente vivendo no limite da razão e uma narrativa deliciosa são ingredientes que não faltam nunca. O farol, hipotético ou real, o lugar escolhido por ex-padre para contar as maldades que praticou durante a vida (um sociopata?). Ao lado dessas maldade presenciamos dramas familiares, solidão, desamores, desnudamento das instituições, mas tudo feito baianamente, como só João sabe fazer.

04) Diário do Chile, de Martha Medeiros. Editora Artes e ofícios, 159 páginas. A poeta e cronista gaúcha Martha Medeiros deixa de lado a literatura e faz um diário com recomendações encantadoras e fáceis sobre a vida no Chile, tudo a partir da experiência que viveu morando lá. Quem quer saber mais sobre o país andino, tem no livro uma leitura obrigatória, porque por meio dele podemos conhecer um país para além dos olhos das agências de turismo. É verdade que o livro se concentra mais em Santiago, mas é um passeio antes da viagem propriamente dita. Eu estive lá e conferi.

fevereiro 12, 2009

Leitura 2009

Arquivado em: Educação — Prof. Nailor Marques Jr. @ 12:04 pm

Resolvi, a pedido de alguns amigos e professores que me ouviram em palestras no começo do ano, falar um pouco no blog sobre as coisas que li esse ano. Então começarei uma série de posts com pequenos comentários sobre o que li. Não tenho a intenção de convocar ninguém à leitura e nem escolher um tipo de livro, tudo que for lendo vai virar comentário aqui.

Nas minhas aulas e nas palestras sempre digo que um bom leitor, alguém que deseja que a leitura faça diferença na sua vida, deve ler em torno de 50 livros por ano. Muitos podem achar demais, mas quem quiser atingir essa marca, faça um pacto consigo mesmo de quatro anos. No primeiro, um livro por mês, depois dois, três e no quarto quatro, isso dará os 50 desejados. Não é díficil.

Por onde eu começo? me perguntam muitos. Eu digo comece pelo que gosta e depois aprenda a gostar do que é bom e necessário. A pior leitura é melhor do que leitura nenhuma. Começa aqui então as pequenas resenhas despretensiosas do que já li desde primeiro de janeiro de 2009.

01) Pequenos amores, de José Roberto Torero. Editora Objetiva, 119 páginas. Uma delícia de leitura, como quase tudo escrito pelo autor. Numa cidade fictícia, Paraíso, habitada por 11.890 pessoas, poderemos viajar pelas mais engraçadas e absurdas histórias de amor. Teoricamente, tudo começou com Adão e Eva que chegaram a rabiscar seus nomes na macieira da praça central. Que procura leitura agradável e diversão garantida, o livro deve estar no topo.

02) Vale tudo: o som e a fúria de Tim maia, de Nélson Mota. Editora Objetiva, 389 páginas. Na verdade, apesar de ser a biografia do grande (em todos os sentidos) Tim Maia, o livro é uma das coisas mais engraçadas que já li na vida. Todos sabemos por alto que Tim era louco e genial, mas só lendo o livro para podermos saber que ele contrariava qualquer regra a qualquer hora do dia, em qualquer lugar que estivesse. O título só poderia sido Vale Tudo, o tudo matou Tim, principalmente o consumo ilimitado de álcool e drogas. A narrativa de Nélson Mota é brilhante, leve e convida o leitor a viajar na loucura alheia.

 

fevereiro 9, 2009

UNOESTE - palestra de início de ano 02-02-2009

Arquivado em: Educação — Prof. Nailor Marques Jr. @ 5:31 pm

Para mim foi uma grata satisfação ter realizada a palestra de abertura do ano letivo para todos os professores da UNOESTE, em Pres. Prudente-SP, por várias razões, mas cito três:

1) Eu nasci em Prudente e precisei falar mais de 1000 vezes em todos o Brasil e no exterior para receber um convite para a cidade que desse certo;

2) Foi o primeiro encontro do gênero em 37 anos de instituição, um encontro que reuniu todos os professores ao mesmo tempo, das mais variadas áreas e eles estavam felizes;

3) O auditório estava lotado, com mais de 550 professores e em mais de 2h e 30 de palestra, ninguém se levantou para nada. Com a qualidade intelectual e profissional do público presente, considerei um feito extraordinário.

 

Apresento aqui algumas fotos e reproduzo a entrevista que a revista interna fez comigo. 

 

Educar é ser feliz, afirma Nailor

 

Educador empolga platéia de intelectuais e afirma: “falta fogo nos olhos dos professores”

 

         Quem foi ao Teatro César Cava ontem (2) esperando mais uma tradicional palestra sobre Educação saiu “transformado”. Ao falar sobre O papel do professor e a postura interdisciplinar, Nailor Marques Júnior (45) literalmente paralisou por 2h45 uma platéia de 550 docentes universitários (graduação e pós-graduação) da Unoeste – Universidade do Oeste Paulista.

         O palestrante, formado em Direito e Letras (UEM) é autor de vários livros na área da Educação e DVDs sobre reconhecimento de oportunidades na vida pessoal e profissional. Já fez mais de mil conferências no Brasil e no Exterior. Na Unoeste, sua fala esteve vinculada aos seus livros Educação para a felicidade e Educação para as inteligências.

         Demonstrando um humor contagiante e domínio incomum sobre a arte da palavra Nailor abriu sua palestra declamando o Poema II de O guardador de rebanhos (Fernando Pessoa). Destacou a importância do educador em nascer “a cada momento para a eterna novidade no mundo”.

Durante todo o tempo, sua fala foi permeada por citações de grandes nomes da Literatura. Além de Fernando Pessoa, citou Platão, Sócrates, Padre Vieira, Rui Barbosa, Drummond, Manoel de Barros, Naum Alves de Souza, Adélia Prado, Ferreira Gullar entre outros. Fez leituras semióticas sobre a arte do gênio da pintura francesa neoclássica Nicolas Poussin, bem como da obra-prima Pietà, esculpida em mármore de Carrara por Michelangelo, aos 23 anos. Decifrou a citação do gênio de que libertar imagens é muito diferente de esculpir imagens. Lembrou que a pior pobreza é a de espírito. Utilizando-se de versos de Adélia Prado demonstrou sobre a importância da construção de conceitos como estratégia de aula. Convenceu que “não existe aula interdisciplinar, existe é professor interdisciplinar e que educar exige amor, o que não significa ser bonzinho”.

Nailor fez questão de enfocar sua experiência docente no campo da Literatura e falar da satisfação e do orgulho em ser professor. “Ensinar é como gostar de arte. Se um quadro, ou escultura, ou livro, ou música não causar prazer elas pouco ou nada servem”, lembrou. “Você tem que ter escolhido ser professor, gostar até mesmo das dificuldades, do contrário deve desistir da profissão”.

O educador ressaltou que é inconcebível a falta do hábito de leitura por grande parte dos professores brasileiros. “Em qualquer área, ler é nossa principal ferramenta de trabalho e o verdadeiro mestre nunca teme a total transmissão do conhecimento aos seus alunos”.

De acordo com Nailor, a relação ensino/aprendizagem nunca foi e não pode ser tarefa fácil. “É um pacto muito sério entre a sede do aluno e a disposição do professor de matá-la, o professor tem que estar preparado para o aluno que tem sede de saber. Em sala de aula o professor precisa o tempo todo incentivar o aluno a interagir, a falar o óbvio, descomplicar o conhecimento e potencializar as qualidades de seus educandos. 

Parafraseando trechos dos sermões de Vieira, lembrou que “o homem não é o que ele fala, o homem é suas ações”. Observou que o bom professor deve se pautar em três requisitos básicos: “domínio de conhecimento e a confiança do aluno nesse domínio; método (a grande metodologia é a de cada um) e postura, lembrando que a orquestra toca de acordo com o movimento do maestro. Entre muitos exemplos, citou a sabedoria chinesa sobre o significado do elemento fogo (símbolo da vontade de realizar e da inteligência) e acrescentou: “o professor não pode ser frio, nem morno, falta fogo nos olhos dos professores”. 

Para Nailor, o professor precisa estar atento aos 4 pilares da Educação instituídos para este século: Educar para o Ser (o desafio de cultivar todas as potencialidades do ser humano); Educar para o Aprender (incentivar o aluno a aprender a aprender – este confia no professor se o professor demonstra que confia no aluno); Educar para o fazer (para dar sentido àquilo que se propõe) e Educar para o Conviver (lembrar sempre que pessoas são diferentes).    

A uma platéia de professores universitários e de intelectuais que o aplaudiu em pé, demonstrou ainda a necessidade diária de reinventar. Em segundos transformou uma folha de papel amassada numa flor. “Todo dia é dia de florescer”, fechou.

  

 

 “O bom filho à casa torna”

 

 

Em sua palestra número 1.046, Nailor Marques Júnior, ressalta a emoção de voltar a sua cidade natal, Presidente Prudente, agora na condição de palestrante, mas nunca deixando de ser professor. Aos presentes na palestra, que fez parte do Encontro Pedagógico dos Docentes da Unoeste, demonstrou a importância de reconstruir para o próprio professor a sua imagem. Em entrevista à Assessoria de Imprensa (AI) da Unoeste ele falou sobre o tema O papel do professor e a postura interdisciplinar e a busca da felicidade.

        

AI – Qual o seu objetivo com a palestra que aborda assuntos do livro Educação para a Felicidade?

Nailor – A idéia é falar sobre “O papel do professor e a postura interdisciplinar”. No final, se resume a idéia de que é possível ser feliz sendo professor. Aqui no Brasil existe um pensamento de que as pessoas são professores porque não têm mais nada para fazer da vida, quer dizer então que professor não é uma carreira, é um ganha pão, um complemento, é a profissão da mulher, de quem não tinha nada para fazer. Aquele brilho, glamour, aquela coisa fantástica se perdeu, foi esfarelando, principalmente do fim da ditadura pra cá. Esse trabalho é justamente para reconstruir ao próprio professor a imagem dele, como eu me vejo o que eu entendo que significa ser professor, porque se ele enxerga como um complemento de renda, como alguma coisa que não vai ter possibilidade de ser uma profissão efetiva, ele nunca fará o seu trabalho com plenitude.

 

AI – Outro aspecto abordado nas suas palestras na área educacional é a interdisciplinaridade. Como você a relaciona hoje?

Nailor – Na palestra tento corrigir um pouco uma coisa que eu acho que está um pouco equivocada, que são as aulas interdisciplinares. Hoje se fala bastante nisso. Eventos dessa natureza evitam tratar desse assunto porque na verdade metade pensa que é conversa fiada, a outra metade pensa que é algo tão complicado que é melhor nem falar, quando na verdade a interdisciplinaridade sempre existiu. As pessoas sempre foram interdisciplinares, não existem aulas, mas sim pessoas interdisciplinares.

 

AI – A felicidade está bem próxima do professor?

Nailor – Sim. Para isso, ele tem que aceitar que ser professor é uma profissão. Na minha opinião é a mais importante, pois precede todas as outras. O professor precisa ter compreensão daquilo que ele faz, a motivação já está construída, motivação significa o motivo para alguém praticar a ação. O que ele precisa é encontrar a razão pela qual ele deveria fazer isso, e fazer bem feito, se ele descobre isso vai ser feliz, porque é uma profissão tão mágica como qualquer outra ou até mais mágica. Só os professores têm capacidade de jogar sementes para mudar o mundo.

 

AI – Como é retornar à Presidente Prudente, nessa palestra na Unoeste?

Nailor – Eu lembro desse lugar (Campus I) quando era uma fazenda, estou muito emocionado, por voltar na condição que eu estou aqui hoje. Já falei em muitos lugares, essa é a minha palestra número 1.046. Já falei em Portugal, Argentina, Paraguai, Chile e nunca tinha falado em Presidente Prudente. É uma dívida que estou pagando comigo mesmo. Estou muito encantado e feliz em ver o que a Unoeste fez ao longo desses anos. Quando saí daqui, a Unoeste era uma ‘menininha’, uma instituição com 5 anos. Na verdade a Unoeste é um divisor de águas na cidade. Podem aparecer muitas outras aqui, mas a Unoeste que trouxe “a civilização para cá”. É responsável por toda essa urbanização. Fico ainda mais feliz por minha primeira palestra ser aqui.

 

AI – Você tem hoje em Maringá (PR) um Atelier de Redação como é esse trabalho?

Nailor – O Atelier de Redação tem 20 anos é um trabalho inédito. Posso dizer que sou um maluco com sorte, pois manter uma escola de Língua Portuguesa para brasileiros é uma coisa fantástica. Eu conto no exterior e ninguém acredita, uma escola da sua própria língua no seu próprio país. A nossa intenção é ajudar a fazer com que as pessoas repensem a língua como um instrumento de trabalho. O local é procurado por diferentes gerações, desde crianças até profissionais. Em 20 anos passaram pelo Atelier mais de 15 mil pessoas. É a menina dos meus olhos.

 

 

 

 

 

      

 

outubro 20, 2008

Reflexões pedagógicas

Arquivado em: Educação — Prof. Nailor Marques Jr. @ 3:08 pm

Dia 09/10/08 realizei uma façanha, provei para mim mesmo e para muitos que santo de casa pode fazer sim, alguns milagres. O evento que vinha sendo divulgado an página e no blog foi um sucesso. Contamos com a presença de 530 pessoas, sendo que o evento e seus desdobramentos envolveu 1143 professores e interessados. 14 municípios estiveram presentes. A festa foi linda e abrilhantada pelo coral do Instituto da Música de Maringá. Fico muito agradecido a todos que se emprenharam para este sucesso e divido com meus (alguns) leitores uma fotos.

setembro 29, 2008

O pensamento que incomoda

Arquivado em: Educação — Prof. Nailor Marques Jr. @ 2:47 pm

Em todas as minhas palestras de educação venho falando sobre a desvinculação entre salário e qualidade de ensino (vide caso da Argentina, o professores lá ganham vezes menos que os daqui e os níveis são infinitamente melhores) e venho vendo muitos  narizes se torcendo. Está aqui alguém que estudou matematicamente o assunto. Leiam a entrevista das páginas amarelas da Veja, 17/09/08.

 

Poucos estudiosos se dedicam a compreender a educação com uma visão tão científica quanto a do americano Eric Hanushek. Professor da Universidade Stanford e doutor em economia pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), ambos nos Estados Unidos, é dele a mais extensa pesquisa já feita sobre os efeitos de um bom ensino no crescimento econômico. Nos últimos trinta anos, Hanushek vem travando embates com ideólogos da educação e os sindicatos de professores. É figura controversa, entre outras coisas, por ter sido o primeiro a afirmar que aumento de salário não influencia a qualidade do ensino – a não ser quando obedece a uma política de premiação aos melhores em sala de aula.

Seus estudos recentes comprovam uma forte relação entre educação e crescimento econômico. Com o Brasil nas últimas colocações em rankings internacionais de ensino, o que se pode dizer sobre a economia? Com esse desempenho, as chances de o Brasil crescer em ritmo chinês e se tornar mais competitivo no cenário internacional são mínimas. Digo isso baseado nos números que reuni ao longo das últimas décadas. Eles mostram que avanços na sala de aula têm peso decisivo para a evolução dos indicadores econômicos de um país. Olhe o caso brasileiro. Se as notas dos estudantes subissem apenas 15% nas avaliações, o Brasil somaria, a cada ano, meio ponto porcentual às suas taxas de crescimento. Isso significaria, hoje, avançar em um ritmo 10% maior. Vale observar que o que impulsiona a economia é a qualidade da educação, e não a quantidade de alunos na escola.

O Brasil colocou 97% das crianças na sala de aula. Isso não tem impacto na economia? A massificação do ensino, por si só, tem pouco efeito – e a matemática não deixa dúvida quanto a isso. Os dados mostram que a influência da educação passa a ser decisiva apenas quando ela é de bom nível. Aí, sim, consegue empurrar os indivíduos e a economia. A relação é simples. Países capazes de proporcionar bom ensino a muita gente ao mesmo tempo elevam rapidamente o padrão de sua força de trabalho. Quando uma população atinge alta capacidade de raciocínio e síntese, torna-se naturalmente mais produtiva e capaz de criar riquezas para o país. Nesse sentido, a posição do Brasil é desvantajosa. Faltam aos alunos habilidades cognitivas básicas, e isso funciona como um freio de mão para o crescimento. Esse cenário, que já era preocupante décadas atrás, agora é ainda mais nocivo.

O que mudou nas últimas décadas? A relação entre boa educação e desenvolvimento econômico é antiga – mas a qualidade do ensino nunca foi tão relevante para o crescimento dos países. Isso porque, em sociedades altamente tecnológicas, a produtividade passou a depender ainda mais das habilidades desenvolvidas na escola. Os números lançam luz sobre o tipo de conhecimento que faz mais diferença: de todas as disciplinas apresentadas aos alunos, são as ciências exatas que, hoje, têm o maior peso para o crescimento econômico. Afinal, exige-se o tempo todo dos profissionais que sejam capazes de lidar com novas tecnologias e de solucionar problemas de alta complexidade. Ocorre não apenas na rotina de quem ocupa um cargo de alto escalão, mas também nas linhas de produção mais simples. Quanto mais gente preparada para enfrentar tais questões, mais chances um país terá de avançar.

Os Estados Unidos são a maior economia do planeta, mas não figuram entre os países de melhor ensino. Isso não é contraditório? Não. Além de uma educação de bom nível, dois outros fatores têm impacto decisivo sobre o ritmo de crescimento de um país: o grau de abertura de sua economia e a segurança institucional que ele oferece, medida pela capacidade de garantir o direito à propriedade privada. Historicamente, os Estados Unidos sempre estiveram muito à frente dos demais países nesses dois quesitos. Outro antigo diferencial americano são as universidades, que ocupam o topo do ranking da excelência. Há décadas elas funcionam como um poderoso motor para o progresso científico e tecnológico, de valor inestimável para a economia do país. Até agora, esse conjunto de fatores ajudou a compensar o desempenho medíocre dos estudantes americanos no ensino básico. Essa vantagem, no entanto, está ameaçada.

Por que o senhor diz isso? Mais países começam a atingir graus de abertura da economia e patamares de desenvolvimento institucional semelhantes aos dos americanos. Também já aparecem, fora dos Estados Unidos, dezenas de universidades onde podem originar-se descobertas científicas relevantes ou mesmo um Prêmio Nobel. Significa que os americanos deixaram de ser os únicos a se destacar em áreas nas quais, bem pouco tempo atrás, não tinham rivais. Caso a qualidade da educação básica ofertada nos Estados Unidos não melhore, a liderança econômica do país ficará seriamente ameaçada. Repare que me refiro aqui apenas aos estragos da má educação. Não estou sequer levando em conta as outras variáveis que podem contribuir para isso.

O impacto da educação na economia varia de um país para outro? Os países que mais se beneficiaram do investimento no ensino, como Coréia do Sul e Finlândia, têm um ponto em comum: são economias abertas. Temos aqui um ciclo virtuoso. Para competirem globalmente, esses países precisam de um exército de pessoas com altíssima capacidade cognitiva – e, contando com elas, lucram como nenhum outro com a concorrência. Quando boa educação vem aliada a uma economia aberta, seu efeito no PIB é três vezes maior do que em países mais fechados.

As salas de aula estão repletas de experiências pedagógicas. O senhor chegou a alguma conclusão sobre qual o melhor caminho para alcançar a qualidade acadêmica? De todos os fatores numa escola, certamente o que mais explica a excelência na sala de aula diz respeito à capacidade dos professores de despertar a curiosidade intelectual dos alunos e lhes transmitir conhecimento. É algo básico, mas freqüentemente ignorado. Veja o que revelam os números. Tendo um ótimo professor durante cinco anos seguidos, uma criança egressa de um ambiente de pobreza e analfabetismo poderá alcançar o mesmo nível de conhecimento de outra vinda de uma casa em que os pais têm diploma de ensino superior e boa situação financeira. A questão é que os diretores das escolas raramente aplicam os critérios certos para rastrear os bons profissionais.

Por que eles erram tanto? Valorizam tempo de experiência e cursos de especialização, quando esses são fatores sem nenhuma relação relevante com a qualidade das aulas. Os educadores resistem a aceitar essa idéia, mas as pesquisas não deixam dúvidas: os Ph.Ds. não apenas não são necessariamente os melhores professores, como muitas vezes figuram entre os piores. Já se conhecem, portanto, algumas das características que não definem um bom professor. O que não se sabe até hoje é o que, de fato, faz um profissional sobressair na sala de aula.

O senhor está dizendo que não há uma explicação estatisticamente confiável sobre as características que determinam um bom professor? Existem muitas suposições, mas nenhuma delas tem valor científico. Por isso fica tão difícil estabelecer critérios prévios para a seleção dos melhores professores – e erra-se tanto. É possível, no entanto, tomar medidas para segurar os mais brilhantes na escola e eliminar os mal preparados.

Qual é a melhor maneira de fazer isso? O método mais eficaz, sem dúvida, é aderir à meritocracia. Entenda-se por isso oferecer incentivos financeiros e carreira atraente a quem merece. É fácil identificar os mais eficientes. São aqueles que, ao término de um período escolar, conseguiram melhorar o desempenho de seus alunos em relação ao patamar do qual partiram no início do ano. Para premiá-los, não quero dizer apenas pagar-lhes 200 ou 300 dólares a mais no fim do ano. O que defendo é mais radical – algo que nem nos Estados Unidos, país à frente nesse quesito, foi implantado.

O que, exatamente, o senhor propõe? Faria muito bem às escolas manter salários mensais diferenciados para os bons professores, poder demitir os incapazes e proporcionar, enfim, um ambiente tão competitivo quanto o de uma grande empresa. Depois de tudo o que pesquisei, afirmo com segurança: reconhecer concretamente os talentos individuais é a medida mais eficaz quando se trata de preservar apenas os professores mais talentosos – e melhorar o ensino. Infelizmente, não é tão fácil pôr essa idéia em prática.

Quais são as dificuldades? Primeiro, é preciso desenvolver mecanismos confiáveis para medir o desempenho de alunos e professores. O problema é que a maioria dos países em desenvolvimento não conta ainda com um sistema de avaliações que permita comparar resultados ao longo dos anos, algo em que o Brasil é uma boa exceção. Um segundo obstáculo é o corporativismo dos sindicatos de professores. Eles são os primeiros a se opor a qualquer medida em favor da premiação ao mérito. Como essas organizações têm, em geral, grande peso na definição das políticas públicas de educação, a meritocracia emperra. Tal é o corporativismo sindical que sua principal bandeira sempre foi o aumento generalizado dos salários. Dizem que só assim o ensino vai para a frente.

Até que ponto isso é verdade? Aumentar os salários de todos os professores de uma mesma rede de ensino não contribui em nada para melhorar a qualidade das aulas. Afirmo isso ancorado nos fatos, e não na intuição, como preferem muitos educadores. Ao defender a isonomia salarial e repudiar aumentos atrelados a resultados, os professores não se baseiam em nenhuma espécie de evidência científica de que a medida funcione em favor do ensino. Lutam por isso apenas porque é bom para eles.

Na educação, por que é tão raro que especialistas, educadores e autoridades se rendam às evidências científicas? Além dos interesses políticos, que passam ao largo da ciência, como ocorre em tantas outras áreas, um segundo fator específico da educação pesa contra a objetividade: não sendo uma ciência exata, as pessoas se sentem um pouco especialistas no assunto. Agrava o problema o fato de a sala de aula ser um lugar que, um dia na vida, todo mundo freqüentou. O resultado dessas crenças é perverso: no mundo todo, ainda são raras as políticas na educação guiadas por evidências empíricas, colhidas ao longo de estudos longitudinais e realizadas com rigor científico, como ocorre em outros setores. Políticas respaldadas em achismos são desastrosas. Elas fazem os países perder dinheiro duas vezes.

Como a falta de rigor científico nas medidas para a educação causam prejuízo a um país? Ao se perderem em opiniões vazias de pretensos especialistas, os governos desperdiçam a chance de se beneficiar de práticas já testadas com sucesso. Ao contrário disso, investem tempo e dinheiro em medidas inócuas, que não resistiriam a uma consulta rápida às experiências internacionais e a um mergulho nos números. Eles logo revelariam sua inutilidade. Mesmo grandes instituições cheias de boas intenções cometem erros básicos por subestimar os fatos.

O senhor citaria uma? Sim, o Banco Mundial. Ele erra ao investir em programas mais focados na quantidade de alunos do que propriamente naqueles com o objetivo de elevar o padrão do ensino. Chegar à escola é um primeiro passo – mas só isso. O que determina mesmo o crescimento de um país é quanto de conhecimento poderá ser extraído da sala de aula.

(Revista Veja, 17/09/08)

 

Posts mais antigos »